
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
O debate entre os pré-candidatos ao Palácio Piratini, promovido nesta quinta-feira (19) pela Fecomércio, evidenciou as estratégias adotadas pelos cinco postulantes que tentam se consolidar na disputa. Edegar Pretto (PT), Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB) se encontraram pela segunda vez para discutir ideias e planos para o futuro do Rio Grande do Sul.
Na tentativa de emplacar o discurso de que é o nome mais preparado, Gabriel usou a seu favor as realizações feitas nos últimos anos pelo governo estadual, do qual é vice-governador. Enfraquecido politicamente com a saída de pelo menos quatro partidos da base aliada, o pré-candidato do MDB aproveitou todas as suas respostas para destacar investimentos e melhorias promovidos pelo Piratini, com a promessa de avançar ainda mais durante um eventual governo.
Ao longo das manifestações, Gabriel e Zucco trocaram alfinetadas, repetindo cenário visto no primeiro debate, promovido pela Famurs no início do mês. Quando questionados sobre aumento de impostos, Zucco criticou o governo do Estado, com referência à tentativa malsucedida de Eduardo Leite aumentar o ICMS em 2024, e ouviu resposta afiada do vice-governador.
— Rio Grande do Sul é o segundo Estado mais inchado do país, será que está dando certo ou é só teoria, só maquiagem? — questionou Zucco.
— Temos a alíquota de ICMS mais baixa do Brasil, mantivemos assim e fizemos investimentos, mantendo as contas em dia. Não ouvi do Zucco propostas de fato, fora palavras fáceis — retrucou Gabriel.
Mais tarde, durante pergunta sobre educação básica, Zucco replicou:
— Gabriel, isso aqui não é um concurso de meme ou de recorte, ninguém em dois minutos vai resolver a economia que tu em oito anos não conseguiu fazer.

Os dois seguiram se bicando ao longo do debate, enquanto os outros três participantes evitaram entrar na briga e se mantiveram fiéis às perguntas feitas pela Fecomércio.
Zucco aproveitou o momento de apresentação para falar da família e fazer um retrospecto da sua carreira política e como militar, dialogando diretamente com o eleitorado de direita. Durante as respostas, preferiu usar a maior parte do tempo em críticas aos governos estadual e federal.
Sem conversa
Posicionados lado a lado, Edegar e Juliana não fizeram acenos um ao outro — como já havia sido no debate da Famurs —, apesar de os partidos de ambos negociarem aliança e pregarem palanque único no Estado para a reeleição de Lula. Juliana também não citou uma vez sequer o nome do presidente durante suas manifestações. Já Edegar não lembrou do vice-presidente Geraldo Alckmin, que tem bom trânsito entre os empresários e é filiado ao PSB, que recentemente anunciou apoio ao PT no Estado.

O foco principal do discurso da pré-candidata do PDT foi a educação, tida como a chave para garantir mais produtividade ao Estado. Juliana lembrou do avô, Leonel Brizola, que construiu mais de 6 mil escolas durante seu governo.
Edegar acenou com promessas para o setor empresarial, e de largada garantiu que não aumentará impostos em um eventual governo. Na Famurs, já havia sugerido compromissos com os prefeitos.
Ao comentar resposta de Gabriel sobre as concessões de rodovias, o petista disse não ser contrário os pedágios, apenas defende um modelo diferente de negócio, com mais transparência — resposta que foi repetida por Zucco mais tarde, em raro momento de concordância entre PT e PL.
Maranata adotou discurso adaptado ao ambiente. Se no evento promovido pela Famurs, o prefeito de Guaíba acenou ao municipalismo e defendeu a função como "a mais difícil do Brasil", desta vez falou diretamente com o empresariado. Para apresentar-se como uma alternativa viável, citou exemplos de ações realizadas durante sua gestão na cidade da Região Metropolitana.






