
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Depois de um ano focado em Brasília, onde foi líder da oposição na Câmara dos Deputados, Luciano Zucco (PL) começa as articulações de pré-campanha com uma espécie de "intensivão" sobre o Rio Grande do Sul. Com auxílio de especialistas, representantes setoriais e integrantes de outros governos estaduais, o pré-candidato trabalha para demonstrar conhecimento sobre a realidade gaúcha durante a campanha e em debates.
Como ao longo de 2025 Zucco ficou dedicado às mobilizações contrárias ao governo Lula e de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, havia um temor ao redor do deputado de que ele poderia ingressar no ano eleitoral alheio à real situação do Estado.
A avaliação entre aliados é de que a falta de preparo durante a campanha poderia deixar o pré-candidato exposto a críticas em debates e nas redes sociais, como aconteceu com Onyx Lorenzoni em 2022, e reduzir as chances de vitória.
Por isso, pelo menos uma vez por semana, o deputado tem participado de reuniões temáticas relacionadas ao Estado, em que trata principalmente de indicadores econômicos, educacionais e da segurança pública. O objetivo é fazer com que Zucco consiga sustentar o bom desempenho que aparece nas pesquisas em seus discursos e manifestações sem ter de recorrer ao cenário político nacional.
A reunião mais recente foi na sexta-feira (13), quando conversou durante toda a manhã com o economista Bruno Lanzer, ligado ao partido Novo, que integra a aliança montada pelo PL para a disputa do Piratini. O deputado estadual Felipe Camozzato (Novo) participou do encontro. O assunto foi a dívida pública e a situação fiscal do RS.
O tema é motivo de preocupação para os postulantes ao governo do Estado, já que o próximo governador voltará a pagar a dívida com a União, terá de empenhar mais recursos em saúde e educação — em razão dos acordos firmados entre o Piratini e o Ministério Público — e acumulará o peso dos precatórios calculados em R$ 17 bilhões.
Zucco também tem procurado líderes e federações empresariais para avaliação do cenário gaúcho e colheita de demandas setoriais que possam ser incluídas no plano de governo. Mesmo assim, o pré-candidato não esconde que o principal objetivo das agendas é ampliar seu conhecimento a respeito da realidade do Estado, de olho na campanha do segundo semestre.
— É a fase de buscar as melhores práticas para chegar preparado para o ano eleitoral, sabendo das condições reais do Estado e ter argumentos factíveis — afirmou.
Militar de carreira e com experiência política apenas no Poder Legislativo, Zucco também procurou secretários de outros Estados, como Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, onde é aliado dos governadores. A intenção é compreender como funciona a gestão de um Poder Executivo estadual e absorver práticas que considera positivas e que possam ser adotadas em um eventual governo, em áreas como educação, saúde e segurança.
— A gente está numa fase bem inicial, mas já é outro Zucco. Mais por dentro dos desafios e gargalos. O feedback nos setores é positivo, de que ele está mais qualificado e aberto ao diálogo — avalia Camozzato.
Plano regional
Zucco planeja uma incursão pelo Estado a partir de março. A ideia, segundo o pré-candidato, é conversar com prefeitos e líderes locais dos partidos que integram a aliança do PL para elaborar um plano de governo dividido por regiões.
— Litoral não é igual à Fronteira Oeste, que não é igual ao Norte, que não é igual ao Sul. Vamos falar com toda a base política da região, montar reuniões com associações locais, todos os setores, entidades. Queremos exercer uma escuta ativa — antecipa o pré-candidato.
Até agora, a aliança em torno de Zucco para a eleição estadual tem o apoio confirmado do Novo e do Podemos; tem acerto encaminhado com Republicanos, que deve ser anunciado nos próximos dias; e aguarda ainda a definição interna do PP. Em janeiro, os progressistas aprovaram indicativo de apoio a Zucco, mas uma ala interna do partido defende candidatura própria capitaneada por Ernani Polo.





