
O jornalista Paulo Egídio colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Uma visita marcada para sábado (21), na unidade prisional da Papudinha, em Brasília, terá reflexo direto na definição da chapa da direita na corrida ao Senado pelo Rio Grande do Sul. Autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, o deputado federal Ubiratan Sanderson (PL) vai se encontrar com o ex-presidente Jair Bolsonaro por duas horas, entre as 11h e as 13h.
Na reunião, Sanderson deverá ter seu futuro eleitoral definido. O deputado foi lançado pelo próprio Bolsonaro como pré-candidato ao Senado, em junho do ano passado, mas as alianças formadas pelo PL gaúcho com outros partidos podem deixá-lo de fora da chapa.
O pré-candidato a governador Luciano Zucco fechou acordo com o Novo, que lançará Marcel van Hattem, e atraiu o PP, oferecendo o posto de vice e a outra posição ao Senado na chapa. Até o momento, entretanto, o PL não retirou Sanderson da disputa.
O deputado argumenta que a pré-candidatura foi lançada por Bolsonaro e que faz parte da estratégia nacional do PL ter candidato ao Senado em todos os Estados.
— Vou conversar no sábado com o presidente Bolsonaro e, na semana que vem, novamente com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e com o Flávio Bolsonaro. Acredito que dificilmente o PL não terá um candidato ao Senado no Rio Grande do Sul — diz Sanderson, que está há oito meses em pré-campanha.
Caso Bolsonaro incentive o correligionário a manter a pré-candidatura, surgirá um impasse na composição. O Novo descarta recuar na candidatura de Van Hattem e, em eventual tentativa de rifá-lo, romperia a aliança e lançaria candidato próprio a governador.
Por sua vez, o PP sustenta que a oferta de uma vaga ao Senado para fechar a aliança partiu do próprio PL na negociação entre os dois partidos. Entre os progressistas, a expectativa é de que o encontro de sábado se transforme em uma saída honrosa para Sanderson, visto que, como Bolsonaro o colocou na corrida, também seria o responsável por retirá-lo. Nessa hipótese, o deputado vai concorrer à reeleição para a Câmara.
A despeito de trabalhar pela aliança com o PL, o presidente do PP gaúcho, Covatti Filho, não abriu discussão interna sobre a indicação da legenda para a disputa ao Senado. Além do próprio Covatti, líderes do partido citam os nomes de Onyx Lorenzoni e do senador Luis Carlos Heinze para o posto. Outra opção seria oferecer a vaga a Ernani Polo, na tentativa de pacificar a agremiação.
À coluna, Zucco rejeitou a hipótese de atrito na composição em razão da disputa para as vagas no Senado:
— Nosso projeto não é para um cargo específico. Temos um diálogo muito maduro para fazer essa construção.
Neste ano, Heinze e Paulo Paim (PT) encerram seus mandatos no Senado. Como duas cadeiras estão em disputa, as chapas podem lançar dois nomes para o cargo.
Outro lado do front
Está em curso uma operação para que Heinze mude de lado na disputa interna do PP. O senador assinou carta em defesa da pré-candidatura de Ernani Polo, mas tem conversado com a ala que articula a aliança com o PL.
No último final de semana, os deputados Covatti Filho, Rodrigo Lorenzoni e Guilherme Pasin foram recebidos por Heinze e pela família em Imbé, no Litoral Norte, e saíram animados da reunião.
Pesa na decisão de Heinze a pré-candidatura do neto, Luis Vicente Aquino, a deputado federal.





