
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Faltando uma semana para encerrar o prazo de inscrição das chapas, a eleição suplementar de Viamão, marcada para 12 de abril, vai ganhando forma com três candidaturas principais. Guto Lopes (PDT), Professor Valdir Bonatto (PSD) e Michele Galvão (PSDB) devem disputar a sucessão de Rafael Bortoletti (PSDB), que deixou o cargo no final de 2025 após ter o mandato cassado e agora aguarda análise de recurso da decisão no Tribunal Superior Eleitoral.
Inicialmente, Bortoletti aventou a possibilidade de disputar novamente o pleito, mas a resolução do Tribunal Regional Eleitoral que determinou as regras para a eleição suplementar barrou a participação do prefeito cassado. Com o impedimento, os tucanos optaram por Michele Galvão, presidente da Câmara de Vereadores que comanda a prefeitura interinamente desde o início do ano. Durante a gestão de Bortoletti, de quem é namorada, Michele foi secretária da Saúde.
Com a confiança do partido para dar sequência ao projeto tucano, Michele buscou o PL para compor a chapa e terá como candidato a vice-prefeito João Andrades, assessor do deputado Luciano Zucco (PL). O grupo conta ainda com o apoio do deputado Capitão Martim (Republicanos).
O processo de cassação causou atrito interno no PSDB municipal, que viu uma de suas principais lideranças deixar o partido. Sentindo-se "traído" por Bortoletti — já que foi Bonatto quem o alçou para a disputa em 2024 —, o ex-prefeito de Viamão e agora deputado estadual, Professor Bonatto, migrou para o PSD e disse que não poderia virar as costas para a cidade neste momento.
Disposto a abrir mão do mandato na Assembleia Legislativa, Bonatto confirmou que será candidato a prefeito mais uma vez. Segundo a legislação eleitoral, ele só terá de renunciar ao cargo de deputado se for eleito. Ainda em caso de vitória, Bonatto ficará impedido de disputar a eleição de outubro, na qual pretendia concorrer a deputado federal.
Para compor a chapa como vice, Bonatto convenceu o vereador Rodrigo Pox (Podemos) a abrir mão da sua pré-candidatura a prefeito e integrar o projeto do PSD. A decisão foi tomada em reunião na sexta-feira (13). A aliança ainda será formada pelo Progressistas.
Apesar da chapa articulada, Bonatto ainda terá de superar um entrave na Justiça Eleitoral. A resolução do TRE que determinou as regras para o pleito exige que os candidatos tenham filiação deferida nos seus partidos há pelo menos seis meses para que estejam aptos a concorrer — o que não é o caso de Bonatto, que assinou ficha no PSD no final de janeiro deste ano.
O PSD já se antecipou e pediu um parecer sobre o tema ao ex-desembargador do TRE, Caetano Cuervo Lo Pumo, para ser usado por Bonatto na tentativa de validar sua candidatura. No documento, o jurista aponta que já existe jurisprudência no TSE para flexibilizar os prazos de filiação em razão da natureza excepcional do pleito.
Nova tentativa
Depois de amargar o segundo lugar por duas eleições consecutivas, Guto Lopes (PDT) tentará uma terceira vez ser eleito prefeito de Viamão. Desta vez, Guto ampliou a base de apoio e tem sete partidos confirmados na sua aliança, entre eles PSB, MDB e União Brasil.
O oitavo pode ser o PT, cujo diretório municipal aprovou apoio à candidatura do Guto, com a indicação do presidente Jussemar da Silva para ser o vice na chapa. Mas os petistas ainda aguardam pela confirmação do PDT, que também tem proposta do MDB para ocupar o posto, com a indicação de Karine Sarico para repetir a chapa de 2024.
A decisão pedetista deve ser tomada até terça-feira (17), e o anúncio oficial pode acontecer no dia seguinte. O PT aguarda a decisão pois, caso seja preterido pelo MDB, ainda pode rever a decisão e lançar candidato próprio. Neste caso, o ex-prefeito e vereador Alex Boscaini seria o cabeça de chapa.
Também em compasso de espera está o PSOL, que já anunciou publicamente que não apoiará o candidato pedetista, com o argumento de que ele representa o mesmo grupo que está no poder há anos na cidade. Se confirmado o apoio do PT ao PDT, o PSOL deverá indicar um candidato a prefeito. Do contrário, procurará o PT para formar uma aliança à esquerda.
Calendário
As convenções partidárias para definir candidatos e coligações deverão acontecer entre 18 e 22 de fevereiro. A campanha eleitoral para os candidatos inscritos começa no dia 26 de fevereiro. Viamonenses deverão ir às urnas escolher o novo prefeito ou prefeita em 12 de abril. A diplomação dos eleitos será em 7 de maio.



