
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
No dia seguinte ao encontro do presidente Lula com a pré-candidata do PDT ao Piratini, Juliana Brizola, líderes do PT gaúcho garantem que nada mudou no planejamento para as eleições no Estado. A despeito da fotografia de Lula de mãos dadas com a pedetista, o discurso no PT é de que a agenda foi "natural" e de que o partido mantém Edegar Pretto como pré-candidato a governador.
Pretto começou o dia apresentando o levantamento de safra durante evento online da Conab, da qual é presidente, e à tarde teve reunião com sua equipe de coordenação para organizar os próximos passos da pré-campanha. Em Porto Alegre, tratou do lançamento das caravanas petistas, que vão percorrer o Estado em busca de ideias para o plano de governo, previsto para o dia 28 de fevereiro.
O encontro também discutiu detalhes sobre a montagem do futuro comitê, que será dividido com a pré-candidatura de Paulo Pimenta ao Senado, e a contratação de um publicitário para a campanha.
— A agenda de ontem é muito natural, porque são dois pré-candidatos que conversaram e acho legítimo. Seguimos organizando nossa candidatura. Nunca tive outra palavra do presidente Lula que não fosse de acolhimento ao que estamos construindo — definiu Pretto, que aposta na atual mobilização, avaliada por ele como "melhor que a de 2022", para sonhar com a vitória em outubro.
Na mesma toada, o presidente estadual do PT, Valdeci Oliveira, é categórico ao falar que "nada mudou". O deputado afirma que o partido mantém o que foi decidido em novembro de 2025, quando confirmou Pretto como pré-candidato, e não vê motivos para uma mudança de rumos.
— Não temos, neste momento, qualquer motivo para criar instabilidade na candidatura do Edegar. Vou seguir rigorosamente defendendo a decisão que foi tomada. Qualquer outro encaminhamento, se porventura acontecer, vai passar pelas instâncias do partido. A única coisa que a gente tem é uma foto — minimizou Valdeci.
Apesar do discurso oficial, a reunião de Lula com Juliana gerou euforia no PDT e na ala do PT que defende a aliança. A expectativa é de que o presidente atue diretamente na formação do palanque no Estado, com a balança pendendo para o lado de Juliana. Aliados de Pretto, entretanto, entendem que esse movimento poderia desmobilizar a base partidária.
Para o ex-governador Tarso Genro, que articula a construção de uma frente ampla da esquerda, Lula deve emitir uma opinião embasada em uma articulação política consultiva. Tarso afirma que o presidente jamais faria uma intervenção burocrática, mas deve buscar o melhor caminho tanto para a sua reeleição quanto para vencer a eleição no Estado.
— Tem de haver uma profunda negociação regional e nacional para decidir quem vai encabeçar a chapa, e isso não se dá sem a posição do presidente. Temos o dever político de incluir o PDT nesta frente. Essa reunião é apenas um indício fortíssimo de que Lula quer uma chapa unitária, mas não significa que ele tenha tomado alguma decisão — relatou Tarso, que, em publicação nas redes sociais, categorizou como "belíssima e oportuna" a foto do encontro do presidente com Juliana Brizola.



