
Eleito em uma disputa que resultou em empate, e na qual acabou favorecido pelo critério de antiguidade, o novo presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Eduardo Uhlein, fez dessa divisão o ponto de partida para a pregação da unidade.
No discurso de posse, um dos mais concisos da história do TJ-RS, Uhlein preferiu tratar o empate como “prova da pluralidade” e se comprometeu a fazer uma gestão de convergência, que chamou de unidade com método.
— Devo ser o presidente de todos, sem favoritismos, sem distinções, agindo com a imparcialidade sem a qual a toga não existe e com a transparência que a responsabilidade nos impõe — disse Uhlein no discurso que durou somente 16 minutos.
A gestão de dois anos está estruturada sobre quatro pilares: transparência e participação, valorização e pertencimento, tecnologia com responsabilidade e gestão estratégica e inteligência de dados. A tradução dessa arquitetura, feita na própria fala do desembargador, é uma gestão moderna sem deslumbramento com a inteligência artificial, que usa a tecnologia mas não prescinde dos juízes e dos servidores, valoriza as equipes e joga luz sobre a administração, convicto de que a sociedade exige transparência.
Como a chapa havia prometido durante a campanha, a prioridade absoluta será o 1º grau, música para os ouvidos dos juízes espalhados pelo Estado:
— É na base da nossa pirâmide, nas nossas 165 Comarcas, que reside 90% da nossa massa processual. Ali o conflito nasce, ali o processo se desenvolve e é ali que a resposta do Estado é mais aguardada. Não haverá tribunal forte sem um 1º grau valorizado e bem estruturado. Direcionaremos mais recursos e atenção para onde a prestação jurisdicional efetivamente chega ao cidadão, fortalecendo quem está na linha de frente do atendimento.
Uhlein forma um quinteto com os desembargadores Claudio Luís Martinewski, Rosane Wanner da Silva Bordasch, Ana Paula Dalbosco e Ricardo Pippi Schmidt. Os cinco estão comprometidos com a celeridade da Justiça e com o relacionamento “harmonioso e republicano” com os outros poderes.
Com 63 anos de idade, sendo 38 de magistratura, Uhlein reservou parte do discurso para os agradecimentos, e não deixou de mencionar seus mestres em todas as fases da vida. Lembrando uma frase do ex-ministro Luís Roberto Barroso, que no ano passado se aposentou do Supremo Tribunal Federal, disse que as três principais prioridades do Brasil deveriam ser educação, educação de qualidade e educação para todos, momento em que foi interrompido por aplausos.






