
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Na leitura da sua última mensagem anual endereçada aos deputados como governador, Eduardo Leite defendeu a concessão das rodovias estaduais, garantindo que irá levar até o final do seu mandato a convicção em levar adiante os leilões dos blocos 1 e 2.
Durante o discurso à Assembleia nesta terça-feira (10), Leite também exaltou resultados na educação, uma das suas bandeiras prioritárias do seu segundo mandato. No encerramento, foi cobrado por opositores por mais ações de combate aos feminicídios.
Leite falou das concessões na metade final do seu discurso, que durou cerca de 30 minutos, defendendo que os projetos elaborados pelo Piratini vão permitir um "salto de qualidade" na infraestrutura gaúcha. O tema é alvo de uma CPI que está em andamento na Assembleia, com críticas ao modelo adotado e às tarifas previstas para os novos pórticos de cobrança.
— O debate é legítimo. A crítica é saudável. O que não contribui é o uso político do medo, da desinformação e da confusão. Muito pior do que o preço do pedágio, é o preço de condenar as estradas do Rio Grande à precariedade por falta da capacidade do Estado de reconstruir, manter e ampliar a malha rodoviária do Estado.
Ao sustentar a proposta, Leite lembrou ainda que o Daer conseguiu duplicar 50 quilômetros de estradas nos últimos 40 anos, enquanto a previsão a partir das concessões é viabilizar 600 quilômetros em 10 anos.
O chefe do Executivo gaúcho iniciou a manifestação destacando o equilíbrio fiscal que promoveu no Estado a partir das reformas e privatizações. Repetiu a palavra "coragem" diversas vezes, lembrando do que chamou de "enorme e profunda crise" que encontrou na situação financeira do Estado, quando assumiu em 2019.
Mas foi a educação o tema mais falado pelo governador, que ressaltou os programas elaborados nos últimos três anos que permitiram ao governo ampliar de 19 para 400 escolas de Ensino Médio em tempo integral, além de agilizar o tempo entre a solicitação e o início de uma obra de mil para 90 dias.
— Só neste segundo mandato, já aplicamos mais de R$ 600 milhões em infraestrutura escolar. E vamos fechar 2026 com cerca de R$ 1 bilhão investido, beneficiando aproximadamente mil escolas — enfatizou Leite, antes de destacar investimentos em merendas, uniformes e aquisição de tênis aos estudantes de baixa renda.
Ao concluir, o governador falou das quatro prioridades que o Piratini encaminhará ao Legislativo no último ano da gestão. Leite confirmou a recriação da loteria estadual, sem deixar claro se o projeto, previsto para ser protocolado até o final do mês, incluirá o credenciamento para apostas esportivas (bets).
Além disso, anunciou que já foram enviadas a proposta de reajuste do piso do magistério e o pedido de urgência para a criação do fundo do bem-estar animal. A quarta e última prioridade é um projeto para garantir que os municípios que não são atendidos pela Corsan possam viabilizar solução para atingir as metas estabelecidas no marco legal do saneamento até 2033.
Calcanhar de Aquiles
Leite lidou com os feminicídios e a violência contra as mulheres como uma espécie de calcanhar de Aquiles da segurança pública, área da qual exaltou os bons indicadores registrados nos últimos anos. O governador lamentou as 11 mulheres que foram mortas no RS em janeiro por questão de gênero, mas enfatizou as ações recentes elaboradas pelo Piratini, como a recriação da Secretaria da Mulher e o reforço nas Patrulhas Maria da Penha.
— Isso é inaceitável, é revoltante. E, diante disso, não cabe relativizar. Cabe agir. Vamos seguir trabalhando para que os avanços da segurança cheguem, cada vez mais, à proteção das mulheres do nosso Estado para que elas possam ter a liberdade de viver — disse Leite.
Após o discurso, parlamentares da esquerda criticaram a ausência de ações direcionadas às mulheres entre as quatro prioridades elencadas por Leite para seu último ano.
— Das quatro prioridades apontadas por Leite, não há uma referência energética, concentrada e dedicada à agenda de combate ao feminicídio — cobrou o líder da bancada do PT, Miguel Rossetto.




