
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
O presidente estadual do Progressistas, Covatti Filho, deixou nas mãos da executiva nacional a decisão de realizar uma pré-convenção para decidir se o partido terá candidatura própria ou não. Covattinho não quis se antecipar após o pedido feito pelo grupo ligado a Ernani Polo ao presidente nacional do partido, senador Ciro Nogueira.
À coluna, Covatti defendeu a decisão do diretório, que escolheu se aliar ao PL e sair da base do governo estadual, por considerar que é a maior instância do partido no Estado. Por isso, inclusive, o deputado entende que a decisão de realizar ou não uma pré-convenção cabe agora à executiva nacional.
— Hoje, nós temos uma decisão formal partindo de um colegiado, respaldado pelo diretório. É do meu perfil cada vez mais achar um meio termo. Agora, como eles apresentaram o ofício, tenho que aguardar a decisão do presidente nacional — afirmou.
Líderes progressistas nos dois lados da disputa interna evitam falar publicamente sobre "divisão" ou "racha". Todos colocam panos quentes e dizem que o relacionamento é positivo, apesar das visões e pensamentos distintos.
— Temos pessoas que pensam diferente, mas está tudo encaminhado. Eles nunca indagaram que o diretório foi a instituição errada, mas recorreram dessa decisão. Já estamos conversando, fazendo aproximação para criar ambiente positivo — avaliou Covatti.
Vice-presidente pede "reflexão"
Passados 20 dias da reunião do diretório do PP, o grupo ligado a Ernani Polo oficializou o pedido para a realização de uma pré-convenção do partido até 31 de março. O documento foi protocolado nesta segunda-feira (9) em Brasília, endereçado a Ciro Nogueira.
Polo e seus aliados são defensores da candidatura própria do partido e argumentam que a prévia dará mais legitimidade para a decisão e refletirá melhor a intenção dos correligionários, já que são cerca de 1,8 mil pessoas aptas a votar — no diretório, são 173. Polo ainda sugere abrir espaço a prefeitos, vices e vereadores, elevando o quórum para mais de 3 mil votos, ou mesmo realizar uma prévia entre os filiados.
No ofício, os 22 signatários — entre eles o ex-governador Jair Soares e o presidente de honra no Estado, Celso Bernardi — pedem para que os filiados opinem sobre o PP encabeçar uma chapa e escolham o nome de quem vai representar o partido na eleição ao Piratini. Assim como Polo, o presidente estadual Covatti Filho também se lançou pré-candidato a governador.
"Ouvir toda a nossa base, sejam os convencionais, mas também prefeitos, vices, vereadores, e até filiados de forma participativa, é adequado, positivo e faz bem para a democracia interna de um partido do tamanho e da grandeza do Progressistas", diz trecho do ofício.
O grupo aliado de Polo articula uma pré-convenção desde que rejeitou a decisão do diretório, com a avaliação de que a reunião foi açodada. O movimento mais recente surgiu na última sexta-feira, quando, em um ato do partido em Pelotas, o deputado Afonso Hamm sinalizou que o pedido para convocar uma prévia seria formalizado. Na ocasião, 209 líderes do partido da Região Sul assinaram manifesto de apoio ao pleito.
— Toda essa força política está motivada com entusiasmo de candidatura própria. (Tenho um) Respeito muito grande pelo Covatti, mas ele acelerou o passo e está antecipando o segundo turno. Cabe agora um momento de reflexão do presidente, porque ele não é proprietário do partido e mandatário de decisões. Se ele não tiver sensibilidade, teremos outros trâmites. Não pensamos em ação jurídica, mas pode ser um caminho — avaliou Hamm.
O deputado, que também é vice-presidente do PP gaúcho, afirma que irá procurar Ciro Nogueira para expor a situação do partido na tentativa de sensibilizá-lo em torno da realização de uma prévia interna. Hamm contará com o apoio do colega de Câmara Pedro Westphalen e do senador Luís Carlos Heinze durante as articulações em Brasília.


