
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
O ano legislativo que começa nesta semana em todas as esferas será marcado pelo ambiente eleitoral, que deve contaminar os debates e as manifestações durante as sessões. Por isso, Câmaras e Assembleias devem ter pressa para esvaziar suas pautas no primeiro semestre, a tempo para que os parlamentares que serão candidatos possam se dedicar à campanha a partir de agosto.
Na Assembleia Legislativa, os trabalhos serão retomados oficialmente nesta terça-feira (3), com a sessão de posse do novo presidente, Sergio Peres (Republicanos), que assume o cargo até então ocupado por Pepe Vargas (PT). A agenda repleta de solenidades vai empurrar para o dia 10, na próxima semana, o primeiro encontro com pauta de votação.
No último ano de governo, o governador Eduardo Leite não deve encaminhar projetos polêmicos para a Assembleia. As discussões mais acaloradas devem ocorrer na CPI dos Pedágios, que une opositores da esquerda e da direita contra a proposta do governo do Estado de concessão das rodovias dos blocos 1 e 2. Enquanto o Piratini planeja realizar os dois leilões ainda este ano, parlamentares contrários aos projetos fazem duras críticas às tarifas e ao modelo adotado em cada sessão da comissão.
A crise interna no Progressistas deve impactar na bancada do partido, da qual os oito deputados se dividem entre a ideia de apoio ao PL na eleição ou candidatura própria. Ernani Polo, que deixou a Secretaria de Desenvolvimento Econômico no mês passado, retomou o mandato na Assembleia e mantém as articulações em torno da sua pré-candidatura a governador, a despeito da decisão do diretório de apoiar Luciano Zucco (PL).
Amanhã, antes da posse de Peres, os parlamentares do PP terão sua reunião inaugural do ano, e a saída da base do governo Leite deverá entrar na pauta. O líder da bancada, Marcus Vinícius, afastou qualquer possibilidade de racha entre o grupo, apesar das visões divergentes sobre o futuro do partido.
— Não veria problema nenhum de a gente sair da base, mas não dá para colocar a carreta na frente dos bois. Temos pontos que nos unem, temos boa relação, e vamos continuar trabalhando juntos na bancada.
Pressa para votar
Como a posse do presidente Moisés Barboza (PSDB) ocorreu no início de janeiro, a primeira sessão da Câmara de Porto Alegre, na próxima quarta-feira, já terá projetos na pauta de votação. Moisés tem pressa em votar o Plano Diretor, mas antes vai tentar emplacar a proposta do Executivo que cria o Sistema Municipal de Fiscalização, para padronizar a atividade.
Com previsão de que pelo menos dois terços dos vereadores concorram, a tendência é de que os discursos ideológicos fiquem ainda mais frequentes. Enquanto a direita deve focar nas críticas a Leite e ao governo federal, a oposição deve direcionar reclamações ao governo de Sebastião Melo.
ALIÁS
Vilson Covatti deu início à saída do PP do governo estadual na quinta-feira, quando colocou o cargo à disposição. Leite diz que aceitou, mas Covatti ainda não foi exonerado e continua como secretário do Desenvolvimento Rural.




