
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Ciente do desafio que tem nas mãos, a secretária estadual da Mulher, Fábia Richter, planeja enfrentar os casos de feminicídios e de violência contra a mulher com fortes campanhas de conscientização focadas no público masculino. Para isso, ela prepara ações com prefeitos e empresários para fazer com que homens aceitem o fim de um relacionamento e deixem de propagar uma cultura machista.
Nesta quarta-feira (4), Fábia teve uma reunião com a Famurs para articular a participação da secretaria na Assembleia de Verão, que ocorre entre 4 e 6 de março, em Torres. A ideia é dialogar com prefeitos e secretários para que entendam que os casos de feminicídio também são problemas dos municípios, e precisam de um enfrentamento local.
— Se nós conseguirmos identificar precocemente o risco de violência doméstica, iremos trabalhar verdadeiramente com prevenção. Vamos construir uma cartilha em conjunto, bem simplificada, para o prefeito levar para o município sua missão. Identificação do risco precoce de violência é um eixo fundamental da política de prevenção estadual. Queremos chegar antes da violência — afirma a secretária.
Além disso, a secretária articula com entidades empresariais, como Fecomércio e Fiergs, e representativas de classe, como os conselhos de Engenharia, de Enfermagem e de Médicos, para que dialoguem com seus setores sobre questões psicossociais e de conscientização sobre violência doméstica. Ainda em fevereiro, a pasta deve lançar uma cartilha sobre o tema, em parceria com a Fiergs, com uma linguagem que dialoga com empresários e funcionários da indústria.
Também haverá reforço a respeito do assunto nas Cipas (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio), para que falem sobre violência doméstica dentro das empresas.
— Infelizmente, é esperado aumento da criminalidade no mês de janeiro, pelo calor, pelo verão, pelas férias. Em fevereiro, vamos intensificar a campanha e trabalhar muito para tentar chegar no homem. Existe uma dificuldade do homem aceitar o fim do relacionamento, e é necessário que homens conversem com homens. Eles precisam entender que o mundo mudou, que ele vai ter que aprender a lidar com isso e não pode ser com violência. Não adianta falar com mulheres somente, precisamos que os homens tomem para si essa condição de não mais aceitar nem repetir comportamentos machistas — definiu a secretária.
Enquanto a conscientização não surte efeito, a secretaria vai seguir o trabalho conjunto com os órgãos da Segurança Pública. Um edital deve ser publicado até o final deste mês para garantir abrigos em nove regiões funcionais do Estado, delimitadas pela própria Secretaria da Mulher. Serão R$ 6,8 milhões investidos em abrigamento, garantindo 126 vagas para mulheres vítimas de violência doméstica.





