
Com o boicote do grupo ligado ao deputado Ernani Polo, que não queria legitimar o que considerava "um jogo de cartas marcadas", o resultado da reunião do diretório do Progressistas (PP) não poderia ser mais óbvio — nem mais contraditório. O presidente Covatti Filho abriu a votação para os titulares e também para todos os suplentes que compareceram à reunião, o que ampliou o quórum para 120 votos, com 53 ausências.
Os números são superlativos em favor de Covatti. Ele teve 109 votos contra oito de Polo, um branco e dois nulos. Quase idêntico foi o placar em relação à aliança: 107 votaram pela coligação com o PL, dois pelo MDB e apenas 10 pela candidatura própria. Já o resultado da votação sobre sair ou ficar na base do governo foi um pouco diferente: 91 votos para sair, 25 para ficar e quatro brancos. A deputada Silvana Covatti é cotada para ser vice de Luciano Zucco (PL).
Covatti venceu como candidato na disputa com Polo, mas os participantes votaram contra a candidatura própria, o que é uma contradição em si. Na mesma votação, aprovaram a coligação com o PL e a saída do governo — uma obviedade, já que uma aliança com o adversário tornaria inviável a permanência dos indicados pelo PP para os cargos de primeiro, segundo e terceiro escalões.
Os líderes que boicotaram a reunião não reconhecem o resultado e alegam que só uma pré-convenção tem legitimidade para definir candidaturas e alianças. Por isso, a decisão de Polo é ignorar o resultado da votação e seguir em campanha pela candidatura própria, como vinha fazendo nos últimos dias, depois que deixou a Secretaria de Desenvolvimento Econômico.
— Não estamos rompendo com ninguém e não temos compromisso de continuidade. Nosso compromisso é com o futuro — disse Covatti sobre a saída do governo Leite.
Com a decisão, todos os indicados pela família Covatti, a começar por Vilson Covatti, pai do presidente estadual e secretário de Desenvolvimento Rural, devem deixar o governo. Os ligados a Polo e aos deputados federais Afonso Hamm e Pedro Westphalen, e aos estaduais Frederico Antunes, Adolfo Brito, Marcus Vinícius de Almeida, mais o suplente Issur Koch, devem continuar no governo. Antunes seguirá na liderança do governo até que uma convenção (ou pré-convenção) aprove o rompimento.





