
Fosse no Rio Grande do Sul, diríamos que o presidente Lula está adotando em relação a seus ministros a política do quero-quero, que canta para um lado e o ninho está para o outro.
A partir de abril, os nomes mais relevantes do primeiro escalão estarão fora do governo para se dedicar à campanha eleitoral - do próprio Lula ou às próprias, se forem candidatos. Há os casos óbvios, como o de Gleisi Hoffmann, que concorrerá ao Senado pelo Paraná, mas é São Paulo a grande incógnita, junto da vaga de vice.
Aqui entram três nomes do primeiro time que farão falta nos nove meses restantes de governo, se de fato saírem para disputar a eleição. Começa pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que já confirmou a saída, em princípio para se dedicar à campanha de Lula. Haddad é um curinga no jogo político.
Embora diga que poderá abandonar a vida pública neste ano, as pesquisas mostram que ele é competitivo na eleição presidencial, caso algum imprevisto impeça Lula de ser candidato.
Deixando o governo, até o início de abril, Haddad fica liberado para concorrer a presidente em caso de emergência. Lula diz que só não será candidato se sua saúde impedir, mas faz questão de esclarecer que está muito bem e não perde oportunidade para mostrar seu “físico de atleta”.
Especula-se que Lula estaria pressionando Haddad para ser candidato ao governo de São Paulo, numa eleição em que Tarcísio de Freitas é favoritíssimo. Entrar numa disputa para perder seria queimar um dos principais nomes de que o PT dispõe para liderar a era pós-Lula.
A ministra do Planejamento, Simone Tebet, também deve sair, quebrando a espinha dorsal da equipe econômica. No caso dela, seriam três as possibilidades: o Senado, o governo de São Paulo e a vice-presidência da República na chapa de Lula.
Tebet é de Mato Grosso do Sul e seria uma estranha no ninho em São Paulo, mas Tarcísio é carioca e venceu com facilidade a eleição de 2022. Seu nome é citado como possível vice de Lula, caso o MDB resolva apoiar a reeleição do presidente.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) tem sido um vice leal, dividido entre a substituição eventual de Lula e a titularidade do Ministério do Desenvolvimento Econômico, onde conquistou a confiança do empresariado com seu jeito sereno de administrar as divergências.
Sem ele, a chapa de Lula para 2026 perde um dos seus principais ativos, que é o bom trânsito de Alckmin no setor produtivo.
Os últimos nove meses do governo Lula 3 serão de ministros mais técnicos, porque os políticos não querem ficar sem mandato. Até Camilo Santana, que tem mais quatro anos como senador, deixará o Ministério da Educação para se dedicar à campanha eleitoral.
A saída só não terá maior impacto porque a secretária executiva Izolda Cela, de reconhecida competência, deve ser a sucessora.





