
O saldo dos mais recentes capítulos da divisão no Progressistas é o risco de uma debandada de deputados, prefeitos e vereadores, caso o presidente Covatti Filho não volte atrás na decisão de reunir o diretório no dia 20 para definir o que o partido fará na eleição de outubro. Covatti disse à coluna que manterá a reunião, porque foi eleito democraticamente pelo partido, assim como a executiva e o diretório.
— Temos um regimento interno, e é ele que orienta e organiza a nossa vida partidária — disse Covattinho.
O grupo ligado ao deputado Ernani Polo decidiu boicotar a reunião depois de tentar, sem sucesso, demover Covatti da ideia de antecipar a definição, sem debate com as bases e sem consulta à comissão eleitoral. A carta em que divulgou a decisão de esvaziar a reunião do diretório contém a assinatura de um senador, dois deputados federais, quatro estaduais e de figuras históricas do partido, como o ex-governador Jair Soares e o ex-presidente estadual Celso Bernardi.
A grande surpresa foi a adesão do senador Luis Carlos Heinze, antes entusiasta de uma aliança com Luciano Zucco (PL), que chegou a convidá-lo para ser vice e, depois, convidou outras pessoas — o último foi o empresário Celso Rigo, filiado ao PP. Heinze não só assinou a carta como foi o escolhido para a publicação inicial nas redes sociais, compartilhada em seguida pelos demais integrantes do grupo.
A carta usa palavras duras para pregar diálogo e unidade. Os líderes dizem que é um equívoco de Covatti acelerar a decisão e que não veem legitimidade no processo. O que não está escrito, mas é verbalizado nas reuniões do grupo e em conversas com a imprensa, é que o PP estaria, pelas mãos de Covatti, indo a reboque do PL, que pressiona por uma definição rápida, ameaçando oferecer a vaga de vice a outro partido.
Se Covatti mantiver a reunião com a pauta prevista — escolha entre ele e Polo, indicação de preferência por aliança com o PL ou MDB e permanência ou não no governo de Eduardo Leite —, a tendência é de uma rebelião que pode desembocar na saída não só de Polo, mas de outros líderes incomodados com o excesso de poder concentrado nas mãos da família Covatti.
Esses líderes ligados a Polo consideram incoerente se aliar a um crítico do governo Leite, do qual o partido participa desde 2019. Polo defende a continuidade do projeto e alerta para o risco de "o Rio Grande perder o que conquistou nos últimos anos".





