
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Em vez de colocar panos quentes, o "day after" da reunião do diretório do Progressistas, que confirmou a aliança com o PL, só deixou ainda mais evidente o racha interno no partido. Enquanto o presidente do PP, Covatti Filho, recebeu o liberal Giovani Cherini para selar a parceria entre as duas siglas, o grupo aliado a Ernani Polo deixou claro que vai mantê-lo no status de pré-candidato a governador e chamou de "monocrática" a decisão sobre a coligação.
Nem 24 horas haviam se passado após a reunião e Covattinho se encontrou com Cherini para oficializar o aceite à proposta feita pelo PL e combinar os primeiros movimentos. A reunião ocorreu na manhã desta quarta-feira (21), na sede do PP em Porto Alegre.
Com 107 votos favoráveis, na terça-feira (20), os progressistas aprovaram a proposta oferecida pelo PL, que prevê a união das siglas na eleição deste ano. Com isso, os dirigentes estaduais deram seguimento ao plano que prevê a manutenção das pré-candidaturas ao Piratini de ambos os partidos (Covattinho, pelo PP, e Luciano Zucco, pelo PL). Em março, após uma ampla pesquisa do cenário eleitoral, será feita a decisão derradeira de quem será o cabeça da chapa. Quem for preterido poderá indicar o vice e um dos nomes da coligação para disputar o Senado.
Até lá, progressistas e liberais formarão um conselho eleitoral para definir estratégias e articulações com outros parceiros. Em função das indecisões internas, o Progressistas estava alheio às negociações com outras siglas, mas agora terá o caminho aberto para participar das conversas com outras siglas para se juntarem à coligação, que já conta com o Novo. Até então, era o PL quem fazia as movimentações pelo mercado, e está próximo de fechar apoio do Republicanos.
Um calendário de eventos de PP e PL também será montado, e os detalhes tanto do cronograma quanto do conselho eleitoral serão divulgados na próxima semana. Antes, Covattinho deve reunir-se com Zucco para alinhamento da aliança — ainda sem data marcada, o encontro deve acontecer somente a partir de segunda-feira (26), já que o liberal participa da caminhada do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) até Brasília, que encerra no domingo.
Diálogo para acalmar os ânimos

Covatti Filho agora precisa administrar o principal desafio deixado pela decisão: a insatisfação interna no Progressistas. Neste momento, o único ponto de convergência entre as duas alas internas é de que a situação deve ser resolvida com diálogo.
Covattinho pretende realizar conversas internas, com ajuda dos deputados que estão ao seu lado (Guilherme Pasin, Joel Wilhelm, Rodrigo Lorenzoni e Silvana Covatti, sua mãe) para explicar como foi o processo para tomada de decisão.
Diálogo também é o caminho preferido do deputado e vice-presidente do partido, Afonso Hamm, que assinou o manifesto fracassado para adiar a reunião do dia 20 e mudar a pauta de votação. Hamm, entretanto, criticou o processo conduzido por Covatti. Alegou que a data foi "extemporânea" e disse que as decisões no partido não podem ser "monocráticas" ou de acordo com as vontades do presidente da vez.
— Nenhum líder ou família pode se apropriar das decisões do partido. O diálogo precisa ser restabelecido. É uma eleição totalmente aberta, não há razão para acelerar a decisão. PP não tem dono. Absurdamente precipitado tirar indicativo extemporâneo para já balizar uma coligação. Não teve discussão com profundidade, pesquisa é uma coisa e diálogo é outra.
De acordo com Hamm, Ernani Polo vai manter suas agendas e articulações como pré-candidato a governador, e defende que o ex-secretário do Desenvolvimento Econômico se reúna com Covatti para alinhar os próximos passos. Polo deixou o governo do Estado no dia 12 de janeiro para dedicar-se a sua candidatura e tem amplo apoio do setor empresarial.
— Vamos ter que ter grandeza, todos, para tomar decisões conjuntas. Se não forem por entendimento, serão por maioria. PP vive novo momento. Partido é muito grande e isso vai forçar um debate maior.
Outro argumento de Hamm é de que a decisão do diretório foi tomada por apenas 120 pessoas, enquanto na convenção são 1,7 mil delegados que estão aptos a votar. Por isso, o deputado deve sugerir a realização de uma prévia, para garantir uma decisão mais representativa do partido.
MDB mantém planos
A decisão do Progressistas frustrou os planos do MDB, que havia apresentado uma proposta semelhante à do PL. O presidente emedebista, deputado Vilmar Zanchin, afirmou que respeita a decisão, mas confirma que o MDB seguirá com seu projeto e ainda não descarta totalmente a aliança.
— Tem todo um trajeto pela frente que tem que ser percorrido. Tem que se aguardar a formalização da federação, depois tem o período de convenção. O pessoal que não participou da reunião diz que vai tentar reverter esse resultado lá na frente. Respeitamos a decisão do coirmão e vamos manter o diálogo — disse Zanchin à coluna.
Por enquanto, o MDB vai reforçar a busca por alianças com outros partidos, como PSD, União Brasil e Podemos. Zanchin lembrou que o cenário também depende de definições nacionais, entre elas o futuro político de Eduardo Leite, para a qual o deputado espera ter uma resolução até o início de abril, quando encerra o prazo para que o governador renuncie o cargo caso decida concorrer em outubro.




