
Em mensagem dirigida à base do Progressistas (PP), o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ernani Polo, se rebelou contra a decisão do presidente do partido, Covatti Filho, de antecipar para o dia 20 de janeiro a deliberação sobre a posição a ser tomada na eleição de outubro. Polo, que assim como Covatti se define como pré-candidato a governador, diz que o presidente do partido não tem isenção para conduzir o processo e pede que o vice-presidente (sem indicar qual deles) assuma essa tarefa.
O secretário diz que o fato de Covatti ser pré-candidato “compromete a isenção, desequilibra o debate e fere o princípio mais elementar de qualquer disputa interna legítima”. E acrescenta: “Não é aceitável que alguém presida, organize e conduza um processo do qual é parte diretamente interessada. Por isso, defendo que o comando de todo esse processo seja assumido interinamente pelo vice-presidente, garantindo neutralidade, credibilidade e respeito às regras do jogo político”.
Polo diz que um projeto dessa natureza exige método, tempo e legitimidade. E que Covattinho está impondo exatamente o contrário.
“A condução apressada de uma reunião decisiva, sem diálogo prévio, sem escuta das instâncias partidárias e sem qualquer esforço real de construção coletiva, enfraquece o partido e reduz um debate estratégico a um rito formal, esvaziado de política e de participação”, escreveu.
No final de dezembro, Polo anunciou que sairia da Secretaria de Desenvolvimento Econômico nos primeiros dias de janeiro para se dedicar à pré-candidatura. A data marcada para a saída é 12 de janeiro, o que lhe daria somente oito dias para conversar com prefeitos, vereadores e líderes do PP.
Confira a íntegra da nota de Ernani Polo:
Mensagem à base dos Progressistas
Ao anunciar publicamente minha disposição de ser pré-candidato a governador pelo Progressistas, reafirmei um compromisso com o partido e com a construção de um projeto liderado pelo PP. Esse movimento pressupõe um processo interno legítimo, equilibrado e conduzido com imparcialidade, especialmente quando se trata de definir os rumos eleitorais de uma sigla com a história, a qualidade e o tamanho do Progressistas.
Um projeto dessa natureza exige método, tempo e legitimidade. O que está sendo imposto agora pela presidência da legenda é exatamente o oposto. A condução apressada de uma reunião decisiva, sem diálogo prévio, sem escuta das instâncias partidárias e sem qualquer esforço real de construção coletiva, enfraquece o partido e reduz um debate estratégico a um rito formal, esvaziado de política e de participação.
Há ainda um fato que não pode ser desconsiderado. O presidente estadual do Progressistas também se apresenta como pré-candidato ao governo e, mesmo assim, mantém o controle direto da condução do processo. Isso compromete a isenção, desequilibra o debate e fere o princípio mais elementar de qualquer disputa interna legítima. Não é aceitável que alguém presida, organize e conduza um processo do qual é parte diretamente interessada. Por isso, defendo que o comando de todo esse processo seja assumido interinamente pelo vice-presidente, garantindo neutralidade, credibilidade e respeito às regras do jogo político.
Sairei da Secretaria de Desenvolvimento Econômico no dia 12 de janeiro, restando apenas oito dias até a reunião marcada para o dia 20. Oito dias não são suficientes para apresentar ideias, dialogar com as bases, ouvir lideranças regionais e permitir que o partido faça uma escolha consciente e definitiva de seu candidato a governador. Esse prazo sufoca o debate e a democracia interna.
Não tenho receio de disputa. Minha trajetória foi construída em processos abertos, com voto, diálogo e enfrentamento político claro. O que não aceito é a tentativa de impor atalhos, concentrar decisões e transformar o Progressistas em instrumento de conveniência pessoal.
Ernani Polo
Deputado estadual



