
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
O clima morno que ronda o PDT gaúcho nas últimas semanas, em torno da pré-candidatura de Juliana Brizola ao Piratini, tende a esquentar nos próximos dias. Uma reunião entre os principais líderes pedetistas no Estado, além do presidente nacional Carlos Lupi, para colocar as cartas na mesa e avaliar as alternativas que estão postas está agendada para quinta-feira (22) — data que marca os 104 anos de Leonel Brizola.
O último encontro do grupo ocorreu no dia 1º de dezembro. Reunidos o presidente estadual, Romildo Bolzan, as bancadas federal e estadual, dirigentes e a própria Juliana, a alta cúpula do PDT decidiu bancar a pré-candidatura do partido, e desde então não se falou mais no assunto publicamente.
A última movimentação no partido ocorreu ainda em dezembro, quando o ex-deputado Vieira da Cunha se aposentou do Ministério Público, onde era procurador, para dedicar-se novamente ao PDT. Seu papel no partido será definido no encontro com Lupi, mas a tendência é que fique responsável por coordenar as articulações políticas para as eleições, juntamente com Romildo.
Na quinta, os pedetistas participam de homenagens a Leonel Brizola em Porto Alegre, pela manhã, e no final da tarde, em Capão da Canoa. O jantar com os líderes também será no Litoral, seguindo a tradição do próprio Brizola, que costumava veranear em um apartamento da família em Capão e aproveitava para reunir a bancada e a direção do PDT gaúcho à beira mar.
Aliança improvável
Das alternativas que serão avaliadas pelo PDT, a mais distante neste momento é uma aliança com o PT, já que nenhum dos lados está disposto a abrir mão da cabeça de chapa — nem Juliana, cuja candidatura é descrita como "praticamente irreversível" pelos correligionários, nem Edegar Pretto, que já foi lançado como pré-candidato pelos petistas. Lupi é entusiasta da união à esquerda, mas Romildo disse à coluna que considera a costura "muito difícil".
— Será uma reunião para passar a limpo o cenário, decisão mesmo só lá por março. Lupi vem para nos atualizar as conversas nacionais. O cenário está no aguardo, ninguém se movimentou ainda para uma decisão final. Nós temos uma definição de que não vamos ser vice do PT. Ou será chapa comandada por Juliana ou não avança. O que é certo é que Juliana não é candidata a vice, não temos maior constrangimento a respeito disso. Vamos trabalhar para viabilizar a candidatura da Juliana — enfatizou Romildo Bolzan.
Para ser competitiva, a neta de Brizola, precisaria de uma aliança com outros partidos (e cujas opções são escassas). A coligação é importante para viabilizar tempo de televisão e recursos suficientes para a campanha. Outra possibilidade é a manutenção do partido na base do governo Eduardo Leite, e, por consequência, apoio à candidatura de Gabriel Souza (MDB) com participação na chapa majoritária. Este último cenário também ameaça a presença de Juliana na corrida pelo governo do Estado, mas abre espaço para disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados ou até mesmo no Senado.
— Juliana nos deu a palavra que não vai ser vice de ninguém. Isso nos afasta da majoritária do PT, que está com bloco na rua. Vamos avaliar o papel do PDT nas eventuais alianças, mas está tudo muito nebuloso. A ideia da reunião é clarear, entender o que tem de concreto e o que é blefe — explica o deputado estadual Tiago Cadó.


