
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Embora cada um já tenha seu pré-candidato a governador — o PT escolheu Edegar Pretto, e o PDT bancou Juliana Brizola —, ambos nutrem esperanças de que uma aliança ainda poderá ser formada entre eles, mesmo que ninguém arrede o pé da cabeça de chapa. Os principais entusiastas da união são os trabalhistas, encabeçados pela confiança do presidente nacional, Carlos Lupi, de que o presidente Lula (PT) indicará apoio à candidatura de Juliana para selar o acordo.
Lupi se baseia no cenário nacional e na amizade de quatro décadas com Lula para alimentar seu otimismo. O PDT, além de integrar a base do governo federal, também está ao lado do PT em mais de 20 estados, e é justamente por esse apoio em quase todo o território nacional que Lupi pede o sacrifício do PT onde os trabalhistas, na avaliação dele, têm mais chances de vitória — como é o caso do RS, onde Juliana aparece bem colocada nas pesquisas desde o ano passado.
— A gente apoia o candidato à Presidência da República, que é do PT. Em todos os quatro Estados onde o PT tem governador, o PDT apoia, e temos uma cultura nacional em que na grande maioria dos estados os dois vão estar juntos. Aí onde o PDT tem reais chances de ter uma candidatura forte, o PT não vai apoiar? Eu acho mais do que legítimo, mas esse é um problema que o PT tem que resolver — apontou Lupi.
Para o dirigente trabalhista, é "pouquíssimo provável" que Lula não deixe claro que quer a aliança de apoio à Juliana. Essa é a articulação que Lupi vem construindo em Brasília, com expectativa de que a clareza no cenário apareça após a janela para as trocas partidárias em março.
— Eu acho que seria um marco inédito do PT, de desprendimento, de amadurecimento e de inteligência política, porque na política, como na vida, tudo que é bom é via de mão dupla. Vai e volta. É só isso que eu quero, que seja o PDT respeitado enquanto instituição — defende o presidente nacional do PDT.
Essa movimentação em Brasília deixa a executiva estadual em compasso de espera pelos petistas — e sem pressa, já que consideram a candidatura da neta de Brizola irreversível — enquanto conversam com PSB, PSDB e Avante sobre o cenário. No RS, a própria Juliana, o presidente estadual Romildo Bolzan e o recém-indicado coordenador político Vieira da Cunha dialogam com líderes de diversas frentes petistas e afirmam que não encontram resistências quando o assunto é formar uma aliança.
— Se ali na prefeitura deixaram a aliança morrer, talvez agora, com a reeleição do presidente Lula, se pense para além disso, para que a gente não deixe o nosso Estado sendo um polo desses que não acreditam na vacina, não acreditam na ciência, acham que ditadura é legal, que torturar é normal. Então, acho que é o momento mesmo que vai fazer com que o PT entenda isso, né? Que é uma construção de um projeto para o Rio Grande do Sul — sugere Juliana.
Juntos na homenagem a Brizola

Várias homenagens foram realizadas nesta quinta-feira (22) para celebrar os 104 anos de nascimento de Leonel Brizola. Pela manhã, pedetistas e apoiadores se reuniram em torno da estátua de Brizola ao lado do Palácio Piratini, em um ato que reuniu o ex-governador Tarso Genro (PT), deputados petistas e trabalhistas, além do presidente estadual do PSB, José Stédile.
Tarso é entusiasta da aliança com o PDT para unificar uma frente de esquerda com força para disputar a eleição com chances de vitória. Já Stédile comanda um partido dividido, com alas que defendem permanência na base do governo Eduardo Leite e outras que se inclinam mais à aliança esquerdista, mas que teriam facilidade em se unir em torno da candidatura de Juliana.
— A gente conversou com o Stédile, conversei com os deputados, tem ali três divisões, na verdade. E o que me foi passado por eles é que o nosso nome unificaria o partido, porque uma ala não quer ir com o PT, outra quer ficar com o Eduardo. Então a conversa com o PSB é uma das melhores, tirando o Avante que já está fechado — afirmou Juliana.
No final da tarde, uma nova homenagem a Leonel Brizola foi realizada, dessa vez em Capão da Canoa. O deputado Paulo Pimenta, lançado pré-candidato ao Senado pelo PT, participou do ato e posou para fotos abraçado em Juliana. Pimenta é entusiasta da aliança com o PDT e articula nos bastidores para que estejam juntos na chapa.





