
Depois de todas as decisões estapafúrdias do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, no caso do Banco Master, soa ingênuo imaginar que a volta do processo à Justiça Federal de Brasília seja uma “saída honrosa”. Não existe saída honrosa para um ministro que a cada dia se vê mais enrolado na teia de relações de Daniel Vorcaro, causador de um prejuízo bilionário ao conjunto de investidores, incluindo os fundos de pensão de servidores do Rio de Janeiro e do Amapá.
Da mais recente para as mais antigas, as ligações dos sobrenomes Toffoli e Vorcaro não têm nada que indique mera coincidência. O resort Tayayá, em Ribeirão Claro, na divisa entre Paraná e São Paulo, é o último elo conhecido de uma corrente na qual o ministro está enrolado e com dificuldade para se desvencilhar.
Nos papéis, dois irmãos do ministro foram sócios do resort em cujo interior funciona um cassino, com jogos que a lei proíbe do Brasil. Pode ser uma proibição hipócrita, dado que o país é um cassino a céu aberto, com jogos digitais mais viciantes que Blackjack, mas é a lei.
Quem comprou a parte dos Toffoli no resort? O cunhado de Daniel Vorcaro, dono de um dos fundos fraudulentos ligados ao Banco Master.
Toffoli, o ministro, tem uma casa nesse condomínio e frequenta suas dependências como se fosse dono, atestam funcionários ouvidos por repórteres do Metrópoles e da Folha de S.Paulo que por lá se hospedaram nos últimos dias. A cunhada de Toffoli, que mora numa casa modesta (e deteriorada) em Marília, onde seria a sede da empresa que foi dona de um terço do resort, disse que o marido nunca foi proprietário do hotel e que não tem dinheiro nem para a reforma.
Vídeo divulgado pelo portal Metrópoles mostra que o ministro se reuniu no Tayayá com o banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual, e com o empresário Luiz Pastore, proprietário do grupo metalúrgico Ibrame, que chegaram ao local em helicóptero avaliado em R$ 12 milhões.
Como se isso fosse pouco, o jornal O Globo traz hoje a informação de que, entre 2022 e 2025, seguranças do Supremo Tribunal Federal receberam diárias para trabalhar 128 dias na região em fins de semana, feriados e recesso do Judiciário. O custo apurado é de R$ 460 mil e, até o momento, ninguém do Supremo deu explicação. Toffoli perdeu a hora de se declarar impedido. Desde que o processo caiu na sua mão, tomou tantas decisões heterodoxas que será difícil para o Supremo colocar panos quentes e fingir que tudo ocorreu dentro do processo legal.



