
A cada novo fato envolvendo o Banco Master e a teia de relações de Daniel Vorcaro com autoridades de diferentes poderes é preciso reconhecer o valor do jornalismo profissional. Foi a jornalista Malu Gaspar, de O Globo e GloboNews, quem puxou e o fio no novelo e, ao lado de Lauro Jardim, emplacou uma sequência de informações exclusivas, que tiraram o sono dos acostumados à impunidade.
Mesmo sob ataque, Malu não recuou. Fez valer o artigo da Constituição que garante aos jornalistas o direito de não revelar suas fontes. A campanha contra ela nas redes sociais, baixa como costumam ser os ataques que misturam pessoas reais com robôs, já refluiu, mas deixou uma reflexão sobre o aparelhamento dos que tentam destruir reputações.
Malu Gaspar bancou o que publicou porque é uma repórter de múltiplas fontes, acostumada ao jornalismo investigativo, e que não se dobra diante dos difamadores. Como disse quando começaram os ataques, "não foi a primeira vez e não será a última".
O vereador de Erechim que detalhou o convite para gravar vídeos falando mal do Banco Central, pago pelo Banco Master, jogou luz no que é comum nas campanhas eleitorais e em outros momentos de disputa política. O que para os inocentes parece engajamento orgânico é uma estratégia de comunicação muito bem paga para vender ideias com as quais o influenciador pode até não compactuar, mas o faz por dinheiro. No caso do Master, muito dinheiro.
É diferente da chamada “publi”, em que fica claro que aquela pessoa estava fazendo publicidade de um produto, como fazem artistas no rádio e na TV, quando emprestam sua imagem para divulgar um carro, uma marca de bebida, uma loja ou um empreendimento imobiliário. O que se tentou fazer com o Master foi uma campanha de difamação do Banco Central, com base em declaração de um ministro do Tribunal de Contas da União, Jhonatan de Jesus, de que a liquidação do Master poderia ser revertida.
Foi o jornalismo também quem mostrou que fundos de pensão tinham colocado o dinheiro da aposentadoria de servidores públicos no Banco Master, uma poupança feita com sacrifício para se sustentar na velhice. Não são apenas pessoas físicas em busca de rendimento superior aos do mercado que levaram um tufo na parte que o Fundo Garantidor de Crédito não cobre, mas pessoas físicas que não têm ideia de como é gerido o dinheiro de um fundo de previdência.
E, como se tudo isso fosse pouco, também foi o jornalismo que mostrou o encontro de dois escândalos – o do Banco Master com o do INSS, uma instituição manchada pelo roubo de aposentados e pensionistas. Esse encontro renderá novos capítulos no livro que Malu Gaspar já pode começar a escrever para colocar ao lado dos que expuseram a ascensão e queda de dois impérios, o de Eike Batista e o da Odebrecht.





