
Se antes já era incerta a candidatura do PSD a presidente, a entrada do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, no “partido ônibus” embaralhou de vez as cartas dadas por Gilberto Kassab. Caiado chegou e já sentou na janelinha, embora ele, Eduardo Leite e Ratinho Júnior tenham dado entrevistas como se estivessem em igualdade de condições. Horas antes de assinar ficha no PSD, Caiado disse que já tinha comunicado ao União Brasil sua decisão de sair e que iria atrás de um partido que o aceitasse como candidato a presidente.
Naquele momento, já estava acertado com Kassab — e tanto Leite quanto Ratinho estavam avisados de que ganhariam um novo companheiro no ônibus que recolhe os descontentes com seus partidos de origem. Partido ônibus era o apelido do MDB, no tempo em que acolheu políticos da extrema esquerda à extrema direita, e deu no que deu.
Horas antes da foto postada no Instagram, com falas dos três, Kassab recebeu o governador gaúcho e a ex-prefeita de Pelotas Paula Mascarenhas e fez a egípcia — não deu qualquer sinal do que seria oficializado no jantar que reuniu os governadores horas depois para selar a entrada de Caiado. Mesmo com três nomes no partido para disputar a corrida interna, Kassab deixa claro que seu preferido não é nenhum deles, mas Tarcísio de Freitas, o governador de São Paulo.
Como será escolhido o candidato do PSD? Todos concordam que não será por meio de prévias. Por certo também não será no palitinho, nem pela Loteria Federal, nem numa prova de resistência, como se escolhe o líder do Big Brother. Se fosse como no reality, Leite seria favorito, por ser mais jovem e ter melhor preparo físico. Se o critério for a avaliação do governo, dá Caiado, com leve vantagem sobre Ratinho, mas Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul não são colégios eleitorais decisivos numa eleição.
Pela lógica, o primeiro passo é ter certeza de que os três querem mesmo ser candidatos. Se todos continuarem, o partido faz pesquisas qualitativas e quantitativas para ver quem é mais competitivo. Até aqui, Ratinho é quem está melhor nas quantitativas de intenção de voto. Melhor, mas bem abaixo de Lula (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL).
Ouvidos os três pela GloboNews, ficou evidente que Leite está na contramão com seu discurso de despolarização. Enquanto fala em projeto de país e se compara ao primeiro-ministro do Canadá, Caiado acirra os ânimos com o mantra de “derrotar Lula” e Ratinho promete o apoio do PSD a Flávio Bolsonaro, se não estiver no segundo turno.
Ainda que as pesquisas mostrem que há espaço para uma candidatura entre Lula e o indicado de Bolsonaro, e as eleições municipais deram vitória consiste ao PSD, o fato de não ter um nome embola o meio de campo. É possível que as próximas pesquisas venham inconclusivas, porque Caiado já era pré-candidato pelo União Brasil e não decolou, e Ratinho e Leite já estavam na pista, ofuscados pela figura de Tarcísio, que se declara candidato a governador, mas não está completamente fora do jogo.


