
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Abraçados à decisão do diretório progressista, Covatti Filho (PP) e Luciano Zucco (PL) fizeram nesta sexta-feira (6) a primeira agenda lado a lado, reforçando a ideia de aliança entre os dois partidos. Depois de reuniões nas últimas semanas para alinhamento do apoio anunciado no dia 20 de janeiro, a dupla caminhou pelo Parque Nicanor Kramer da Luz, prestigiando o 36º Rodeio Internacional de Vacaria.
Covattinho e Zucco tiveram pelo menos duas reuniões oficiais desde a decisão do diretório, das quais participaram também deputados estaduais da bancada do Progressistas que apoiam a aliança com o PL — como Guilherme Pasin, Rodrigo Lorenzoni e Joel Wilhelm.
Esse grupo, com exceção de Wilhelm, se reuniu com líderes da região dos Campos de Cima da Serra dos dois partidos, como o prefeito de Vacaria, Andrezinho Rokoski (PL), para "fortalecimento de diálogo e união".
Na sequência, já durante a tarde, liberais e progressistas tiveram encontro com empresários e produtores de maçã em Vacaria, para quem apresentaram formalmente a aliança de direita, com o reforço de representantes do Novo. Tanto Zucco quanto Covatti se apresentaram como pré-candidatos ao Piratini, já que o acordo entre eles prevê que quem estiver à frente nas pesquisas será candidato a governador e o partido do outro indicará o vice e um dos candidatos ao Senado.
Também participaram os deputados Ubiratan Sanderson (PL) e Marcel Van Hattem (Novo), pré-candidatos ao Senado, e o deputado Felipe Camozzato (Novo). O Republicanos, que deve formalizar apoio ao PL em breve, esteve representado pelo deputado Delegado Zucco (Republicanos).
As reuniões foram descritas como propositivas, na qual os representantes dos três partidos trataram da elaboração de uma agenda conjunta para o Estado, colhendo demandas do setor produtivo.
— Pudemos nos apresentar como aliança de direita. Estamos começando a alinhar arestas e iniciando a caminhada — definiu Camozzato.
A divisão interna do Progressistas foi completamente ignorada durante toda a agenda, e o assunto não foi citado em nenhum momento. Uma ala do partido ligada a Ernani Polo, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico que se lançou pré-candidato a governador, defende a realização de uma pré-convenção antes de formalizar qualquer aliança. O grupo, que defende candidatura própria do PP, não vê validade na decisão do diretório.
As 120 pessoas que votaram no dia 20 de janeiro decidiram contra a candidatura própria ao mesmo tempo em que optaram por apoiar o PL na eleição de outubro, e aprovaram a saída da base do governo Eduardo Leite. Esse movimento teve início no dia 29, quando o secretário do Desenvolvimento Rural, Vilson Covatti (pai de Covattinho), colocou o cargo à disposição. Leite aceitou o pedido, mas até agora não exonerou o patriarca da família que comanda o PP.
— Para fora do partido, pode parecer que há um racha, mas não. É um momento natural em que o partido apresenta sua teses. Covatti avança na aproximação com o PL a partir do indicativo do diretório, não tem nada de estranho ou equivocado. E também é legítimo dos filiados de buscarem compreensões diferentes. Não é um racha como aparenta estar. Está tudo ok, no momento adequado — disse Pasin, rechaçando o entendimento de que existe uma divisão interna no partido.






