
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Com três opções para disputar a Presidência, após a filiação surpresa do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, o PSD não deve realizar prévias internas para escolher quem será o candidato em outubro. Em entrevista à GloboNews, o governador do RS, Eduardo Leite — que disputa a vaga com Caiado e o governador do Paraná, Ratinho Júnior — garantiu que a decisão será feita a partir de um diálogo interno no partido.
— Não haverá prévias, não há nenhuma disposição do partido para isso, (a escolha) é pelo diálogo, pela discussão interna, pela opção da candidatura que consiga encontrar espaço junto aos eleitores — disse o gaúcho, no início da tarde desta quarta-feira (28).
Até a entrada de Caiado na sigla, o favorito do presidente do PSD, Gilberto Kassab, para a disputa era Ratinho Júnior, após Tarcísio de Freitas confirmar que tentará a reeleição ao governo de São Paulo. Leite seria o nome do partido para a sucessão no Planalto caso o paranaense decidisse por disputar uma vaga no Senado, da qual é favorito.
O governador goiano já tinha se lançado no ano passado como pré-candidato à Presidência, quando ainda estava no União Brasil. Agora, chega ao novo partido com o mesmo status, sem necessariamente ingressar como terceira opção na fila. Na entrevista da qual participou ao lado de Leite, Caiado disse que o compromisso é que os dois preteridos estejam na campanha daquele que for definido como candidato.
— É um gesto de desprendimento de cada um. Nós temos três grandes pretendentes, e nos submeteremos a uma escolha que será respeitada por nós. Quem for indicado terá o apoio dos demais. Nós temos certeza absoluta de que teremos um candidato à Presidência. Não tem rotulação de terceira via.
Praticamente sem aparecer nas pesquisas de projeção do cenário nacional, Leite também afastou a possibilidade de que a decisão do PSD se baseie nestes indicadores. Para o governador gaúcho, será mais importante levar em conta o "humor do eleitor" do que sua intenção de voto.
— Temos legitimamente aspiração individual de protagonizar esse processo, mas isso não é maior do que a vontade de contribuir com o Brasil. Não estão programados prévias ou algum elemento objetivo de pesquisas de intenção de votos, que consideramos essas muito menos relevantes do que aquelas que mostram o humor do eleitor. Tem muita gente votando no Lula sem estar efetivamente feliz com esse voto, e muita gente também que indica voto no seu opositor do outro lado do polo, mais bolsonarista, que também não está feliz com isso, mas acha que é o caminho para tirar o Lula — avaliou o governador do RS.
Política externa
Além do cenário eleitoral, Leite também foi questionado sobre a política externa brasileira e como se comportaria em um eventual governo a respeito da escalada do governo norte-americano, com intervenção na Venezuela e imposição de tarifas ao redor do mundo.
O governador gaúcho citou o discurso do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, de que há uma ruptura da ordem mundial e uma ficção de multilateralismo, e afirmou que é preciso entender que tipo de alianças podem ser construídas nesta disposição global e avaliar as oportunidades que podem ser aproveitadas pelo Brasil.
— Agora temos uma nova configuração, uma espécie de ruptura e não apenas transição, e vamos ter que entender as ações que o Brasil precisará fazer com alianças em potências médias, e ao mesmo tempo as oportunidades que esse momento tensionado traz para o país. Se estivéssemos com a casa bem arrumada, se o país estivesse ajustado nas suas contas, caminhando numa jornada de melhoria da produtividade, de parceria com setor privado, o país estaria voando nesse momento — defendeu Eduardo Leite.





