
O jornalista Fábio Schaffner colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Na política, o tempo é relativo. Uma semana pode significar uma eternidade e nove meses, um estalar de dedos. Com janeiro se aproximando do fim, outubro é logo ali no calendário eleitoral. Após duas semanas de marasmo na esteira das festas de final de ano, candidatos e dirigentes partidários retomam as articulações para dar feições definitivas às chapas e alianças. Por ora, há inquietações nos principais palanques ao Piratini.
Nas hostes governistas, a principal dúvida é quanto ao futuro de Eduardo Leite. O governador esteve em São Paulo no início da semana, onde se reuniu na terça-feira (13) com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e o governador do Paraná, Ratinho Jr.
Ninguém disse o que foi acertado a portas fechadas, mas no dia seguinte Ratinho admitiu pela primeira vez que está pronto para concorrer à Presidência, sob a chancela de Kassab.
— A decisão, sendo hoje, seria ele — disse o dirigente.
Leite reconhece a desvantagem e, nos bastidores, dá cada vez mais sinais de resignação. Como o Senado não lhe apetece, a tendência é de que cumpra o mandato até o fim, sem concorrer a nada em 2026. A situação angustia o vice-governador Gabriel Souza (MDB), que contava com Leite como puxador de votos e de aliados à chapa majoritária.
De férias em Portugal, Gabriel retorna ao Estado no dia 24, intensificando o foco nas agendas no Interior e na costura de alianças. Sua maior preocupação hoje é o PP, cuja reunião de terça-feira (20) deve acabar na Justiça caso o grupo de Covatti Filho leve o partido para o palanque de Luciano Zucco (PL).
Embora conte com a simpatia de grande parte do eleitorado do PP, Zucco irritou o partido ao convidar o empresário Celso Rigo para ser seu vice. O gesto foi considerado inoportuno e sem respeito às instâncias partidárias. Houve ruídos no próprio PL pelo fato de Zucco já ter convidado quatro pessoas para compor a chapa — Rigo, Luis Carlos Heinze, Covatti Filho, todos do PP, e Any Ortiz, do Cidadania.
Na esquerda, não está descartada uma intervenção na candidatura do PT, com Edegar Pretto cedendo espaço à Juliana Brizola (PDT). O presidente Lula aterrisa terça-feira (20) em Rio Grande e vai discutir a sucessão com próceres do partido já no voo ao Rio Grande do Sul.
Lula começou a se debruçar sobre os palanques regionais nesta semana, com prioridade ao Senado, em detrimento das candidaturas a governador. Por ora, essa chapa está composta por Paulo Pimenta (PT) e Manuela D’Ávila (PSOL). Um eventual apoio do PT a Juliana afastaria o PSOL do palanque.
Aliás
Lula bateu o martelo: mesmo contra a própria vontade, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, será candidato ao Senado por São Paulo. Já Gleisi Hoffmann deixa a Secretaria de Relações Institucionais para disputar o mesmo cargo pelo Paraná.




