
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Depois de MDB e PT confirmarem no final de semana seus pré-candidatos ao Piratini em 2026, o PDT decidiu bancar a pré-candidatura de Juliana Brizola a governadora. A decisão foi tomada em um jantar na noite desta segunda-feira (1º) entre bancadas estadual, federal e direção do partido, reunidos em um salão de festas em Porto Alegre.
Para os pedetistas, a boa colocação de Juliana nas pesquisas impossibilita que o partido volte atrás na candidatura, descrita como “praticamente irreversível”. Os correligionários descartam completamente a sugestão de que ela dispute como vice em alguma chapa, e afastam as possibilidades de que abra mão da disputa majoritária para concorrer a deputada federal.
A avaliação interna é de que o sobrenome Brizola atrai o interesse do eleitorado, inclusive de jovens, o que mantém o resultado positivo. A distância de extremos e um rebote da candidatura a prefeita de Porto Alegre, em 2024, também contribuem para o índice elevado.
Internamente, a média de 20% nas pesquisas é considerada um trunfo do PDT para atrair partidos a uma aliança em torno de Juliana para o primeiro turno. Por essas razões, os pedetistas já se distanciam também de uma possível união com o PT, que lançou Edegar Pretto ao Piratini, com a certeza de que nenhum dos lados abrirá mão da cabeça de chapa.
Por outro lado, os deputados do PDT evitam se afastar da base do governo estadual após lançamento da candidatura de Gabrel Souza e o apoio convincente do governador Eduardo Leite. A intenção é viabilizar Juliana na disputa sem criar tensionamentos com MDB e os partidos aliados, de olho em um eventual segundo turno. Caso Juliana avance e Gabriel não, a ideia é garantir Leite e os emedebistas no palanque com o PDT.
No encontro desta segunda, os líderes partidários também estabeleceram metas para a candidatura de Juliana, nas quais vão se debruçar, por enquanto, até março. O partido vai trabalhar para manter a neta de Brizola em alta nas pesquisas, além de conquistar partidos aliados para a disputa — o grupo mira no PSDB (que já lançou dois pré-candidatos ao governo), Podemos, PSB, Solidariedade e Avante. A ideia é conquistar pelo menos dois minutos de propaganda em rádio e televisão.
Além disso, há cerca de 20 dias, o grupo começou a elaborar um plano de governo, que deverá ser trabalhado ao longo das próximas semanas. Em março de 2026, o grupo fará uma nova avaliação do cenário, já com as alianças encaminhadas e as propostas para o Estado definidas.






