
Passaram-se 24 horas entre a publicação da reportagem da jornalista Malu Gaspar até que o ministro Alexandre de Moraes divulgasse uma explicação sobre o encontro presencial com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Na lacônica nota, Xandão não menciona o que seria a parte grave da conversa com Galípolo, um suposto pedido para liberar a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), instituição pública ligada ao governo do Distrito Federal. O nome Master não figura no texto.
É crível que o ministro tenha mesmo discutido com o presidente do Banco Central e com executivos de outras instituições financeiras a aplicação da Lei Magnitsky e suas consequências na movimentação bancária, contas correntes, cartões de crédito e débito. Essa informação foi confirmada também por Galípolo, em nota de duas linhas, que não menciona o Master nem os telefonemas citados na reportagem.
O intrigante é que nenhum conteste a parte da reportagem que trata do Master ou que esclareça se foi uma conversa casual sobre o negócio ruidoso — e público — da tentativa de compra pelo BRB, barrada pelo Banco Central porque havia falcatrua no negócio encabeçado por Daniel Vorcaro, o dono que vai passar o Natal de tornozeleira eletrônica.
O problema de Xandão é que no meio do caminho há um contrato do escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master. Impossível imaginar que um casal não converse sobre trabalho em casa, ainda mais quando se assina um contrato de R$ 3,6 milhões por mês, por 30 meses. Difícil acreditar que o ministro não soubesse que uma das obrigações de Viviane era defender os interesses do Master junto a várias instituições, incluindo o Banco Central, onde ela não pisou nos últimos meses.
Notas na íntegra
O que diz o STF
"O Ministro Alexandre de Moraes esclarece que, em virtude da aplicação da Lei Magnitsky, recebeu para reuniões o presidente do Banco Central, a presidente do Banco do Brasil, o Presidente e o vice-presidente Jurídico do Banco Itaú. Além disso, participou de reunião conjunta com os Presidentes da Confederação Nacional das Instituições Financeira, da FEBRABAN, do BTG e os vice-presidentes do Santander e Itaú. Em todas as reuniões, foram tratados exclusivamente assuntos específicos sobre as graves consequências da aplicação da referida lei, em especial a possibilidade de manutenção de movimentação bancária, contas correntes, cartões de crédito e débito."
O que diz o Banco Central
"O Banco Central confirma que manteve reuniões com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, para tratar dos efeitos da aplicação da Lei Magnitsky."




