
Sempre bem-informada, a jornalista Malu Gaspar, de O Globo, vem brindando os seus leitores com informações escabrosas sobre ações que envolvem ministros do Supremo Tribunal Federal. Não é a única, mas de seus textos têm emergido as mais bombásticas. A última tem como protagonista o ministro Alexandre de Moraes e não tem nada de edificante para o homem que deu uma contribuição indiscutível para a proteção da democracia no processo que trata da trama golpista de 2022.
Já era escandaloso a esposa de Moraes ter um contrato de R$ 3,6 milhões mensais com o Banco Master, com especificação de tratar dos interesses da instituição junto a diferente órgãos públicos, incluindo o Supremo Tribunal Federal e o Banco Central. Advogados de diferentes áreas consultados pela coluna foram taxativos: o valor era exorbitante para qualquer banca famosa, mais ainda para a de uma advogada pouco conhecida.
A imprensa vasculhou os processos em que Viviane Barci de Moraes atua ou atuou e não encontrou nenhum relacionado ao Master. Checou os acessos à diretoria do Banco Central e descobriu que ela nunca esteve no prédio icônico de Brasília, nem no escritório do Rio de Janeiro. Agora, Malu Gaspar revela o pulo do gato: quem tentou defender o Banco Master não foi Viviane, mas Alexandre de Moraes, com o argumento de que seu dono, Daniel Vorcaro, era um excelente rapaz.
Moraes teria pressionado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para que autorizasse a compra do Master pelo Banco Regional de Brasília, um banco público. O Banco Central, fazendo valer sua condição de independente, não cedeu. Primeiro, impediu que o BRB comprasse um banco sabidamente podre, identificou negociações ilícitas e, por fim, determinou a liquidação.
Ministro do STF pode e deve receber as partes, dentro de um processo legal. Mas não pode ser lobista de banqueiro ou de quem quer que seja, muito menos para influenciar uma instituição como o Banco Central. Galípolo, até onde sabe, agiu corretamente — e aqui vale reafirmar a importância de um Banco Central independente, imune aos lobbies que podem colocar em risco a credibilidade e a confiança.
O ministro deve explicações ao país. Galípolo já disse que está à disposição do STF para explicar a liquidação do Master. O ministro Edson Fachin, presidente da Corte, deveria chamá-lo para tirar a limpo o que de fato está acontecendo.
Para piorar a situação do Supremo, o ministro Dias Toffoli puxou para si tudo o que envolve o Master, aceitando a alegação da defesa de Vorcaro de que o fato de ter aparecido o nome do deputado federal João Carlos Bacelar levaria o processo inteiro para o Supremo. Argumento frágil e discutível, porque a figura desse deputado só aparece em documentos de um negócio imobiliário que nunca se concretizou. Toffoli também impôs sigilo máximo em relação ao processo, o que leva à desconfiança de que está tentando proteger alguém.





