
Nos próximos capítulos do embate entre Michelle Bolsonaro e os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro o jogo pode virar, mas está claro que a ex-primeira-dama venceu o primeiro round. Na reunião com a direção do PL, da qual participaram ela e o senador Flávio Bolsonaro, foram suspensas as negociações com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB) no Ceará, conduzidas por André Fernandes, e que Michelle havia criticado com veemência no fim de semana.
Flávio tentou colocar panos quentes, dizendo que houve apenas “um ruído de comunicação” e que Michelle não sabia que seu pai dera aval à negociação com Ciro. Depois de visitar Bolsonaro na carceragem da Polícia Federal, Flávio pediu desculpas a Michelle e deu entrevista dizendo que tinha se acertado com ela.
O que Flávio chama de “ruído” foram críticas ásperas dele e dos três irmãos — enteados de Michelle — por ela ter dito ao microfone que não aceitava uma aliança do PL com Ciro, que chama a família Bolsonaro de “ladrões de galinha”, entre outras agressões. Flávio tinha chamado a madrasta de autoritária e dito que ela não apita nada no PL. Que seu cargo de presidente do PL Mulher é apenas honorífico.
— Eu acho que a gente dá um passo importante aqui de amadurecimento, de demonstração de maturidade. A Michelle participa do núcleo duro aqui do partido que vai tomar as decisões, porque ela tem um posicionamento muito cristalino, muito transparente, muito verdadeiro e com a visão que ela, uma pessoa que tem percorrido o Brasil todo, pode colaborar e muito para que a gente tome as decisões corretas em cada Estado. O que houve foi um ruído de comunicação e todo mundo querendo acertar — tentou consertar Flávio.
O recuo em relação à aliança PL-PSDB no Ceará indica que Valdemar Costa Neto, presidente do partido, ficou ao lado de Michelle. Porque o mesmo Flávio refez o discurso e passou a reconhecer que a madrasta “faz parte do núcleo duro do partido” e que as decisões a partir de agora serão tomadas coletivamente, sempre com o aval do ex-presidente Bolsonaro.




