
Se pensasse com o cérebro, e não com o fígado, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) não estaria acumulando derrotas em seu sonho americano às avessas. Nos nove meses em que está nos Estados Unidos, Eduardo gestou fracasso atrás de fracasso. Mitômano, achou que o presidente da maior economia do mundo daria mais atenção às fantasias dele e do amigo Paulo Figueiredo do que aos interesses dos americanos. Comemorou cedo demais o resultado de suas conspirações contra o Brasil e deu com os burros n’água.
É verdade que no início ele até conseguiu fazer a cabeça de assessores de Donald Trump e do próprio presidente, que acreditaram na versão que a eles foi apresentada pela dupla de brasileiros. O próprio Trump atribuiu o tarifaço ao processo contra Jair Bolsonaro e impôs sanções aos ministros do Supremo Tribunal e suas famílias, cassando vistos de entrada nos Estados Unidos. A Alexandre de Moraes coube a punição mais radical, a aplicação da Lei Magnitsky, que o próprio autor considerou descabida.
As sanções impostas a Moraes e sua esposa não produziram efeito, porque os bancos brasileiros simplesmente não aplicaram a chamada “morte financeira”, que no limite impediria o ministro até de receber o subsídio em conta corrente, no Banco do Brasil. O sonho americano de Eduardo era ver o ministro Alexandre de Moraes sem dinheiro para pagar um cachorro-quente, por não poder mexer nos investimentos, e as empresas brasileiras que exportam para os Estados Unidos serem asfixiadas até seus CEOs ajoelharem diante de Moraes, pedindo para não condenar seu pai, Jair Bolsonaro.
Moraes e os demais ministros do Supremo não se intimidaram.
— Sempre teremos Paris — brincou o agora ex-ministro Luís Roberto Barroso, que se aposentou logo após a conclusão do julgamento de Bolsonaro e de outros réus do núcleo central da trama golpista.
Era uma referência ao filme Casablanca. Quando Barroso foi fotografado com a namorada caminhando em uma praia de Santa Catarina, seus desafetos exultaram, como se ele estivesse condenado a não sair do Brasil.
A coleção de fracassos de Eduardo começou quando Trump disse na assembleia da ONU que tinha encontrado Lula, que os dois tiveram “uma química excelente”. Depois veio a conversa telefônica, o encontro na Malásia, a negociação entre os dois governos, a revogação de parte das tarifas e, por fim, a exclusão de Alexandre e Viviane de Moraes da Magnitsky.
O Supremo Tribunal Federal não se intimidou com as sanções impostas por Trump, julgou Bolsonaro como estava previsto e hoje ele cumpre pena num quartinho de 12 metros quadrados, na Superintendência da Polícia Federal. Essa não foi a única derrota de Eduardo. Como queimou as pontes, agora não tem como voltar para o Brasil. Por excesso de faltas, vai perder o mandato. Não se sabe como vai se sustentar com a família em solo americano.
Na primeira manifestação após a liberação de Moraes e Viviane da Magnitsky — uma lei feita para bandidos e não para um ministro do Supremo Tribuna Federal —, Eduardo Bolsonaro atribuiu a revogação à falta de união da direita. Ilude-se. Não foi falta de união da direita. O erro foi dele, que se achou maior do que era, e agora tem medo de voltar ao país e ser preso. Perdeu para o irmão mais velho a condição de candidato preferencial da família Bolsonaro.




