
Até o alarme que fez tremer os celulares de quem estava em Porto Alegre por volta das 15h30min desta segunda-feira (15), alertando para a iminência do temporal, foi usada no balanço do governo Eduardo Leite para mostrar que “o Rio Grande do Sul está diferente”. De fato, o alerta soou até para quem está de passagem pelo Estado e tem celular com prefixo de outras regiões — umas das inovações decorrentes do Plano Rio Grande, que concentra as ações adotadas após a enchente.
Sentados na primeira fileira de cadeiras, no Salão Negrinho do Pastoreio, Leite, o vice-governador Gabriel Souza e quase todos os secretários assistiram à apresentação de uma síntese do que foi o ano de 2025 para o governo. A Secretaria de Comunicação Social optou por contar a história de 2025 a partir de manchetes de jornais e sites, cortes de reportagens de rádio e TV, depoimentos de pessoas cuja vida mudou a partir de ações do governo.
— O Rio Grande do Sul está diferente. Podem gostar ou não, mas os números comprovam que está, em todas as áreas. Quem quiser falar do que ainda precisa ser feito, vai demandar um bom tempo. Mas quem quiser falar do que fizemos, vai demandar mais tempo ainda — disse Leite antes da apresentação dos vídeos.
O governador subiu ao palco ao lado do vice, Gabriel Souza, seu candidato à sucessão, e os dois fizeram uma espécie de jogral para falar do Rio Grande do Sul diferente e da construção do novo depois da enchente.
O número mágico que sintetiza o ano aos olhos do governo é 15 mil. São 15 mil ações, entre projetos, políticas públicas e iniciativas na reconstrução do Estado. Área por área, os recortes se sucediam na tela, começando pelos feitos na área de educação, como o aumento do número de escolas de tempo integral (de 1% para 30% e que deve chegar a 50% até o final do governo), os uniformes para professores, o Pé no Futuro (doação de um voucher para os alunos comprarem tênis), a reforma de escolas e os investimentos em merenda escolar.
De cada área foram citadas duas ou três iniciativas, com ênfase para a segurança pública, destacando a redução da criminalidade, o fato de o Estado ter se tornado um dos mais seguros do país, a compra de viaturas e armas e o concurso público para a nomeação de mais profissionais. Na saúde, o foco foi o SUS gaúcho e o desdobramento dos investimentos em diferentes áreas para reduzir as filas e melhorar o atendimento.
— Não queremos só fazer as entregas, mas mostrar o propósito de construir um Rio Grande do Sul diferente — discursou o secretário de Comunicação, Caio Tomazeli.
O rapper Chiquinho Divilas, educador social que faz parte do projeto RAPajador, mistura de rap com cultura gaúcha, contou sua história e cantou acompanhado de gaita e DJ. O trio de artistas apresentou um rap feito para o balanço, com o mote “o Rio Grande tá diferente”, rimando com “gente”, “contente” e outras palavras de mesma sonoridade.
Leite voltou ao palco depois das apresentações — e antes do show de Natal que encerrou o balanço — para dizer que nos seus dois mandatos rompeu padrões:
— Quem escolhe inovar sabe que nem sempre haverá aplausos. Inovação não é vaidade é compromisso com o futuro. Privatizamos, fizemos reformas impopulares, mexemos nas carreiras dos servidores. Diziam que eu ia enterrar minha carreira política, mas fomos o primeiro governo reeleito. Não desejo apenas a continuidade de um governo, mas esse ímpeto de mudança. O Rio Grande não ficou menor. Ele ficou maior onde ele deve estar, na educação, na saúde, na segurança, na cultura.
Ao final, o governador voltou a desafiar os adversários a compararem seu governo com os que o antecederam:
— Não tenho medo de medir, de comparar. Ano que vem é ano eleitoral e certamente muitas discussões virão. Não tenham medo (dirigindo-se aos secretários) de pedir para medir os resultados em qualquer área. Até o meu último dia de governo, vou continuar trabalhando com coragem, sem medo das críticas.



