
Dois dias depois de dizer no congresso do MDB que Gabriel Souza é seu candidato ao Piratini, o governador Eduardo Leite almoçou com líderes de quatro partidos da base que não têm candidato à sua sucessão para pedir que, antes de conversar com a oposição, ouçam o que o governo tem a dizer sobre 2026.
Estiveram no Palácio Piratini representantes do Podemos (o presidente estadual, Everton Braz, e o secretário de Turismo, Ronaldo Santini), do Republicanos (o presidente estadual e secretário da Habitação, Carlos Gomes, e a deputada Eliana Bayer), do União Brasil (deputado Dirceu Franciscon) e do PSB (deputado Elton Weber). O chefe da Casa Civil, Artur Lemos, participou do almoço.
Leite argumentou que, para evitar retrocesso nas reformas, o grupo que hoje governa o Estado precisa se manter unido. Disse que, em nome da unidade, está disposto a abrir mão da candidatura ao Senado e cumprir o mandato até o fim. Dos líderes do Podemos, do União Brasil e do Republicanos ouviu que existe a possibilidade de apoiar a candidatura de Gabriel Souza, mas que a prioridade é eleger deputados federais, para ultrapassar a cláusula de barreira.
Elton Weber (PSB) disse à coluna que recebeu o convite para o almoço e foi ao Piratini para ouvir. Não se comprometeu com apoio, até porque não tem poder para isso — o PSB vive um momento delicado, com divergências acentuadas entre o grupo de Elton e do deputado federal Heitor Schuch, que estão no governo, e o do ex-deputado Beto Albuquerque, defensor da aliança com o PT de Edegar Pretto.
Aos líderes partidários, Leite disse que agora cabe ao MDB costurar a aliança em torno de Gabriel. É isso que o presidente do MDB fará ao longo do mês de dezembro, sabendo que os partidos da base de Eduardo Leite estão sendo cortejados também por Luciano Zucco (PL), que ofereceu a vaga de vice ao PP.
O presidente do MDB, Vilmar Zanchin, já vem conversando líderes dos partidos aliados, em reuniões reservadas e com a presença de Gabriel e de outros dirigentes do MDB, como o ex-prefeito José Fogaça. Zanchin reconhece que a aliança estadual esbarra na incerteza sobre o cenário eleitoral, especialmente porque o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, resiste em assumir a candidatura ao Planalto.
O PP, que já tinha uma reunião marcada da comissão eleitoral, avaliou os desdobramentos da participação de Leite no encontro do MDB e da declaração de apoio a Gabriel Souza como natural. O partido decidiu que continuará trabalhando pela candidatura própria a governador, mas a decisão deve ficar para março, à espera de clareza no cenário nacional.


