
Antes de qualquer consideração sobre as cenas de violências registradas na Câmara dos Deputados na noite de terça-feira é preciso dizer que Glauber Braga (PSOL) errou ao se aboletar na Mesa Diretora, como fizeram Marcel van Hattem, Luciano Zucco e outros deputados do PL em outro episódio lamentável.
Como um erro não justifica o outro, há que se destacar o despreparo do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), para lidar com situações de tensão. O mesmo Motta que no caso dos deputados do PL passou dois dias negociando a desocupação da mesa, desta vez resolveu apelar para a truculência – não apenas com Glauber Braga, deputado que está para ser cassado por falta de decoro, mas com os jornalistas e com outros deputados.
As imagens gravadas na Câmara mostram cenas de selvageria, com a Polícia Legislativa retirando Glauber à força e empurrando quem estivesse pela frente. Motta cortou o microfone e a transmissão em vídeo e mandou retirar os jornalistas do plenário, num ato ditatorial que não tem precedentes na história recente do país. Agora, vem candidamente dizer que vai apurar “eventuais excessos” da Polícia Legislativa?
Eventuais excessos? Não, senhor Hugo Motta. Foram excessos inaceitáveis numa democracia. Por que os jornalistas não poderiam documentar o que o corre no plenário da Câmara dos Deputados?


