
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
A Federasul se posicionou contrária à proposta do governo do Estado para a concessão do bloco 1 de rodovias — que contempla estradas das regiões Metropolitana, das Hortênsias e Litoral Norte, além dos vales do Sinos e do Paranhana —, em reunião com entidades empresariais na manhã desta quarta-feira (10). A avaliação é de que o modelo foi mal estruturado pelo governo do Estado, com pórticos de pedágio mal localizados e tarifa elevada, ausência de obras consideradas necessárias e decisões equivocadas que geraram disputa entre regiões.
A federação, entretanto, decidiu apoiar a proposta para o bloco 2, que abrange o Vale do Taquari e a Região Norte, sob o argumento de que há mais riscos em não melhorar as rodovias da região do que em seguir com as concessões.
O grupo avalia que as concessões são o caminho correto, mas o formato oferecido pelo Piratini para o bloco 1 é considerado insuficiente.
— Se rejeitou a proposta do bloco 1 por unanimidade, para recomeçar do zero e reconstruir com o governo do Estado, de braços dados com a Assembleia e entidades empresariais. O secretário Artur Lemos já tinha dito que se comprometia a rediscutir o projeto conosco. Ele tem pressa em entregar resultados, mas o governo entendeu que há uma rejeição na opinião pública. A preocupação do governo é que essa discussão não contamine o leilão do bloco 2 — afirmou o presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa.
À coluna, o secretário-chefe da Casa Civil, Artur Lemos, reconheceu as peculiaridades do bloco 1 e a necessidade de adaptações e alterações profundas na proposta:
— Mencionei que o bloco 2 mudou consideravelmente desde sua concepção, consultas e o efetivo projeto lançado. O que não poderíamos era alijar, no caso do bloco 1, a oportunidade de capturar o máximo de contribuições e contrariedades, mas que esta não fosse contra a concessão do bloco.
Para o vice-presidente da regional Metropolitana e Delta do Jacuí da entidade, Darcy Zottis, a previsão de não instalar pedágios na RS-118 e a construção da nova rodovia para ligar Porto Alegre à Sapiranga (a RS-010) são positivas, mas, em consequência, oneram os motoristas do Vale do Paranhana com tarifas mais altas. Uma alternativa que será estudada com o governo do Estado é retirar a RS-118 do pacote de concessão.
Apoio ao bloco 2
Em relação ao bloco 2, os representantes do setor empresarial foram favoráveis à proposta, com apenas um voto contrário. Há anos, o Vale do Taquari estuda a melhor forma de qualificar as estradas, e líderes regionais chegaram a um consenso com o governo do Estado a respeito do modelo atual.
Inicialmente, havia uma desconfiança sobre o volume diário médio (VDM) de tráfego na região calculado pelo Piratini, mas um estudo feito pelas entidades regionais confirmou o número e abriu caminho para a concordância. Agora, a intenção é garantir amplo suporte à proposta para que haja sucesso no leilão, previsto para março de 2026.
— A região entendeu que não pode abrir mão das obras, porque com ela perderia as empresas, os empregos e entraria em decadência social. O risco de não fazer a concessão é maior do que fazer. A região e a federação entendem que é preciso assumir o risco de provocar a livre concorrência com vários fundos de investimento participando da licitação do bloco 2, para que se tenha uma redução agressiva e substancial da tarifa proposta por quilômetro concedido, que é de 19 centavos — defende Sousa Costa, que considera ter havido nos últimos anos uma grande evolução no modelo apresentado.
Os dois blocos somam mais de R$ 12 bilhões em investimentos de duplicação e revitalização das rodovias, além da construção de novos trechos. A contrapartida é a instalação de mais de 50 pórticos do free flow para cobrança de pedágio nas regiões.




