
Não há assunto mais falado nesta terça-feira (9) entre os advogados Brasil afora do que o contrato milionário do escritório Barci e Moraes, da esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane, e de seus filhos, para atender o Banco Master. Cópias de documentos e mensagens encontradas no celular do dono do Master, Daniel Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal, revelam que o contrato era de R$ 3,6 milhões por mês, válido por 36 meses e pagos até o banco quebrar. Se não tivesse quebrado, seriam R$ 129 milhões em três anos.
O espanto entre os advogados em geral, confirmado por três profissionais dos mais respeitados do Rio Grande do Sul, tem um motivo: o valor foge ao padrão até das maiores e mais caras bancas do Brasil. Viviane não é exatamente uma sumidade do Direito — e isso torna mais estranho para os advogados que atuam nos tribunais superiores. Os pagamentos cessaram porque o banco quebrou, mas foram feitos regularmente até então, de acordo com o material apreendido.
Não há, até aqui, qualquer notícia de que Viviane ou os filhos tenham defendido o Master em alguma causa no Supremo Tribunal Federal, o que envolveria o ministro Alexandre de Moraes. Agora que todo o processo está no Supremo, por obra e graça do ministro Dias Toffoli, Moraes é mais um que precisa se declarar impedido de julgar qualquer ação referente ao Master, mesmo que sua esposa não seja a advogada.
O ministro, que o Brasil conhece como Xandão, é o terceiro que, por questões éticas, teria de se afastar de qualquer julgamento envolvendo o Master, Daniel Vorcaro e seus sócios. Outro é Toffoli, por ter viajado a Lima no jatinho de um empresário na companhia do advogado Augusto de Arruda Botelho, que atua no caso. Primeiro, porque foi depois da viagem que ele deferiu o pedido para que qualquer processo envolvendo a quebra do Master seja julgado no Supremo. Segundo, porque sua esposa, Roberta Maria Range, já foi sócia de um dos advogados que atendem o Banco Master.
O terceiro cavalheiro que deveria se declarar impedido é Kássio Nunes Marques. Por quê? Porque, segundo a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, Vorcaro tentou pegar um atalho para que, em vez de ir para o sorteio, o pedido caísse direto nas mãos de Nunes Marques. A alegação era de que o caso teria conexão com a Operação Overclean, que apura um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e desvios de recursos públicos na execução de emendas parlamentares, cujo relator é Nunes Marques.
A presidência do Supremo, porém, considerou que o caso Master não tinha ligação com a Overclean e determinou o sorteio eletrônico entre os integrantes da Corte. Foi pelo sorteio que a relatoria caiu nas mãos de Toffoli.




