
Pelos discursos dos deputados de esquerda e de direita que apoiam a CPI dos Pedágios, está sendo colocada em dúvida a lisura do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), empresa pública federal vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, responsável pela modelagem das três concessões de rodovias estaduais.
A modelagem do Bloco 3, que teve o consórcio Caminhos da Serra Gaúcha como único concorrente, foi feita pelos técnicos do BNDES na gestão de Gustavo Montezano, no governo de Jair Bolsonaro. A do bloco 2 (cujo leilão está previsto para março) e a do bloco 1 (que está em fase de audiências pública) foram elaboradas na gestão de Aloizio Mercadante, no governo Lula. A concessão da RS-287 foi modelada pelo Banco Mundial e não está no escopo da CPI.
O líder do governo no Assembleia, deputado Frederico Antunes (PP), destacou que a escolha do relator deveria recair sobre um parlamentar que tenha votado a favor da Lei 14.875/2024, que autoriza o Poder Executivo a conceder serviços de exploração de rodovias e infraestrutura terrestre.
Antunes destacou que, à época, apenas a bancada do PT se posicionou contra a lei, enquanto as demais a apoiaram, tornando essencial um perfil alinhado ao mérito da norma para debater não o "porquê" das concessões, mas sua aplicação prática.
— Poderíamos fazer essa discussão na Comissão do Justiça ou mesmo em outras comissões — ponderou Antunes, que concorda com a avaliação da cúpula do governo de Eduardo Leite de que a CPI é eleitoreira e foi criada para servir de palanque político.


