
Há algo de muito errado com o regimento interno da Câmara, para que três deputados que fugiram para o Exterior mantenham os gabinetes em funcionamento, bancados pelo contribuinte. Os salários e a cota parlamentar de Alexandre Ramagem (PL-RJ), Carla Zambelli (PL-SP) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP) foram cortados, mas os gabinetes dos três seguem ativos, onerando o cidadão que paga impostos. Custo mensal? Mais de R$ 400 mil.
Relembrando, Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde março. Fugiu temendo ser preso e só quando já estava instalado no Texas apresentou um pedido de licença não remunerada por seis meses. Vencida a licença, não voltou. Queria continuar atuando em modo remoto, mas a Mesa da Câmara não aceitou. Seguiu conspirando contra o Brasil e se orgulha de ser o responsável pelas sanções impostas às exportações brasileiras e a ministros do Supremo Tribunal Federal. Só quando perder o mandato por excesso de faltas seu gabinete deverá ser desativado.
Carla Zambelli fugiu para os Estados Unidos e de lá para a Itália. Condenada pelo Supremo Tribunal Federal pela invasão do sistema de informática por um hacker por ela contratado, foi capturada e presa. Enquanto aguarda o processo de extradição, seu gabinete segue funcionando — e nós pagamos a conta.
Alexandre Ramagem é considerado foragido da Justiça. Enquanto o STF julgava sua participação na trama golpista, fugiu pela Guiana, driblando a decisão que o impedia de sair do país. Condenado, participou de 124 votações em modo remoto, até o presidente da Câmara, Hugo Motta, vetar o mandato à distância, depois que ele reapareceu nos Estados Unidos e confessou ter fugido para escapar da prisão.
Cada parlamentar tem direito a R$ 133.170,54 para contratar até 25 funcionários, com salários que vão individualmente até R$ 18.179,88. Juntos, Ramagem, Zambelli e Eduardo têm 27 funcionários, a um custo de cerca de R$ 400 mil.
Levantamento publicado pelo jornal O Globo mostra que, em outubro, quando nenhum dos três estava mais no Brasil, Ramagem, Zambelli e Bolsonaro custaram R$ 460 mil aos cofres públicos, por conta das verbas de gabinete. O último salário pago a Ramagem foi o de setembro, mas em outubro ele ainda recebeu R$ 20.848,29 da cota parlamentar, que cobre despesas típicas do exercício do mandato parlamentar, como aluguel de escritório, passagens aéreas, alimentação, aluguel de carro, combustível, entre outras.
Zambelli teve salário pago até maio deste ano, mas seu gabinete segue funcionando. Em outubro, os gastos foram de R$ 130 mil. Já o gabinete de Eduardo Bolsonaro, que está sem salário desde julho, custou R$ 132 mil em outubro.
Os gabinetes só deixarão de funcionar quando o mandato dos três for extinto e a Câmara convocar os suplentes.


