
A informação do colunista Lauro Jardim, de o Globo, de que o ministro Dias Toffoli foi a Lima ver a final da Libertadores no jatinho do empresário Luiz Oswaldo Pastore já seria motivo suficiente para questionamento. Por que um ministro do Supremo não pode ir ao Peru em avião de carreira e pega carona com um empresário?
Mas não foi uma inocente carona. No mesmo voo estavam o advogado Augusto Arruda Botelho, que atua no processo do Banco Master defendendo o diretor de compliance do Banco, Luiz Antônio Bull, e o ex-deputado Aldo Rebello. O ex-comunista Rebello, agora convertido ao liberalismo, descobriu a delícia de voar de jatinho. Até aí, tudo bem. Rebello não tem poder para julgar os envolvidos no caso Master. Toffoli é o relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF).
Foi ele, Toffoli, que primeiro impôs o mais alto grau de sigilo ao pedido do Master para que o processo tramite no Supremo e não na Justiça Federal, em Brasília. Logo depois, acatou o pedido do Master e tomou para si a responsabilidade pelo processo que apura desvios bilionários no Master, a tentativa de compra pelo BNB, banco público de Brasília, e que levou seu dono, Daniel Vorcaro, a passar 12 dias preso e, liberado, a usar tornozeleira eletrônica.
Qual o grau de isenção de um ministro que viaja com o advogado de um dos envolvidos no escândalo do Master para julgar qualquer coisa que envolva o banco e seus sócios?
Toffoli deveria começar esta segunda-feira (8) se declarando impedido, mas como não o fará, caberia ao procurador-geral da República alguma providência. Afinal, não é ele a única pessoa que na visão de Gilmar Mendes pode pedir o impeachment de ministros do Supremo? Se pode pedir o impeachment, medida mais drástica, deveria começar pedindo que Toffoli passe a relatoria a outro ministro que não tenha esse tipo de impedimento.



