
O dono de um banco é investigado por fraude de R$ 17 bilhões, que terá uma parte coberta pelas demais instituições financeiras, via Fundo Garantidor de Crédito, e você não tem nem o direito de saber o que está escrito na petição em que a defesa pede para o processo subir para o Supremo Tribunal Federal (STF). Esse senhor é o empresário Daniel Vorcaro, conhecido como um bon vivant, com relações nos três poderes da República, homem a quem governadores e prefeitos confiaram o dinheiro da previdência dos seus servidores e agora estão prestes a levar um tufo.
Quem ampliou o sigilo? O ministro Dias Toffoli, do STF, sorteado para ser o relator da petição encaminhada pela defesa de Vorcaro, requerendo que o caso seja julgado diretamente na Corte. Entre as bancas contratadas por Vorcaro está o escritório de advocacia Barci de Moraes, no qual atuam a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, e dois dos filhos do casal.
Nos últimos meses, o Brasil tem ouvido reclamações dos condenados no caso da trama golpista de que não tiveram direito ao duplo grau de jurisdição e, condenados pelo Supremo, não puderam recorrer. Por que será que Vorcaro quer ser julgado no STF, em vez de passar pelas diferentes instâncias da Justiça e recorrer em cada uma, até chegar à última?
Sabe-se que o motivo pelo qual a defesa de Vorcaro pediu para levar o caso ao STF é o fato de, na investigação, ter surgido o nome de um deputado federal. Essa parte não justificaria o sigilo. Porque o deputado em questão, José Carlos Bacelar (PL-BA), já confirmou que tem ligações com Vorcaro. Um envelope com documentos de um negócio imobiliário foi encontrado pela Polícia Federal (PF) no cumprimento de mandados de busca e apreensão da Operação Compliance Zero.
Bacelar divulgou até uma nota dizendo que participou da criação de um fundo destinado à construção de um empreendimento imobiliário em Trancoso, distrito de Porto Seguro (BA). Vorcaro teria demonstrado interesse em se associar ao projeto, mas o negócio não foi adiante, segundo o deputado.
A investigação corre na Justiça Federal de Brasília, que determinou a prisão do empresário, detido quando se preparava para decolar em seu jatinho rumo a Dubai. Vorcaro ficou 12 dias preso e saiu da cadeia amparado em uma liminar do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, o TRF1.


