
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Está autorizada a instalação da comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar as propostas do governo do Estado para concessão dos blocos 1, 2 e 3 das rodovias. O aval veio do presidente da Assembleia Legislativa, Pepe Vargas (PT), que não se abalou com os apelos do chefe da Casa Civil, Artur Lemos, e deu seguimento ao requerimento feito pelo deputado Paparico Bacchi (PL).
A indicação dos 12 membros deverá ser feita até a próxima sexta-feira (12). O PT deverá ficar com a maior quantidade de integrantes, três, seguido pelo PP, que deverá indicar dois deputados. MDB, PL, PSDB, PDT, Republicanos, União Brasil e Novo terão um representante cada. A instalação de fato poderá ser realizada a partir da semana que se inicia no dia 15.
Assim que forem definidos os deputados, será formalizada a instalação da CPI, com a definição de presidente (que, por ser o autor da proposta, deverá ser o próprio Paparico) e relator.
A comissão terá 120 dias de trabalhos para solicitar documentos e convocar audiências com as empresas e testemunhas. O período pode ser prorrogado por mais 60 dias, se houver necessidade. As datas coincidem com o leilão do bloco 2, marcado para 13 de março. Não há interrupção da comissão durante o recesso, que começa no dia 22 de dezembro e se encerra em 31 de janeiro de 2026.
— O objetivo é garantir transparência, rigor técnico e proteção do interesse público, evitando que erros de modelagem ou decisões equivocadas onerem o contribuinte gaúcho e comprometam a economia do Estado — enfatiza o deputado do PL.
Paparico contou com apoio de parlamentares do PT, PSOL, PCdoB, Novo, Republicanos, Podemos e PP (veja lista abaixo). Depois de garantir, nesta quinta-feira (4), as 19 assinaturas, o mínimo necessário para propor uma CPI, o grupo ainda recebeu um vigésimo aliado: o deputado Joel Wilhelm (PP), que integra a base do governo Eduardo Leite. Ele é ex-prefeito de Igrejinha, cidade impactada pela proposta de concessão do bloco 1.
Além das duras críticas de prefeitos das regiões onde ficam os blocos 1 e 2 (Metropolitana, Norte, vales do Taquari, Sinos e Paranhana, Serra e Litoral Norte), os deputados alegam que os contratos do governo apresentam irregularidades técnicas, jurídicas, financeiras e de interesse público.
À coluna, o secretário-chefe da Casa Civil, Artur Lemos, lamentou o requerimento de instalação da CPI, defendendo que não há um fato determinado que justifique a abertura da investigação na Assembleia. Lemos avaliou também que o pedido de abertura da comissão tem como objetivo "criar instabilidade política", em um momento em que o Estado deveria estar focado no equilíbrio financeiro.
Veja quem assinou o requerimento
- Paparico Bacchi (PL)
- Capitão Martim (Republicanos)
- Kelly Moraes (PL)
- Claudio Branchieri (Podemos)
- Rodrigo Lorenzoni (PP)
- Miguel Rossetto (PT)
- Stela Farias (PT)
- Halley Lino (PT)
- Valdeci Oliveira (PT)
- Laura Sito (PT)
- Adão Pretto Filho (PT)
- Sofia Cavedon (PT)
- Bruna Rodrigues (PCdoB)
- Zé Nunes (PT)
- Jeferson Fernandes (PT)
- Luciana Genro (PSOL)
- Matheus Gomes (PSOL)
- Felipe Camozzato (Novo)
- Gustavo Victorino (Republicanos)
- Joel Wilhelm (PP)





