
Apontada como a maior contradição do governo brasileiro na COP30, a extração de petróleo na foz do Rio Amazonas não é incompatível com o espírito da descarbonização nem da proteção das florestas tropicais, temas que estão sendo discutidos à exaustão em pequenos e grandes fóruns no grande encontro da ONU. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que resistiu inicialmente à ideia de o Ibama autorizar pesquisas nessa área, converteu-se à tese de que a transição energética não pode ser feita de sopetão.
Parece óbvio que haveria um colapso na economia se, de uma hora para outra, um país decidisse substituir o petróleo por combustíveis sustentáveis. Primeiro, porque não há produção em escala dos substitutos do petróleo. Segundo, porque os carros, caminhões, ônibus, aviões e barcos não estão preparados para o fim da era do petróleo. Não haveria nem energia elétrica suficiente para mover toda a frota de um país continental como o Brasil.
O empresário Erasmo Battistella, dono da Be8, maior produtora de biocombustíveis do Brasil, usa uma metáfora de fácil compreensão para explicar a necessidade de a transição ser feita de forma gradual:
— A transição energética é uma subida para ser feita de escada e não de elevador. Porque nem a indústria automobilística está preparada para uma transformação abrupta, nem nós temos condições de produzir combustíveis sustentáveis para dar conta de toda a frota.
Nesta terça-feira (11), na COP, Erasmo vai apresentar os resultados preliminares da chamada Rota Sustentável COP 30: Energia que move propósitos. É a comparação do desempenho entre um ônibus e um caminhão Mercedes Benz movidos a Be8 BeVant, o novo biocombustível desenvolvido por sua empresa, e um ônibus e um caminhão do mesmo modelo, a diesel. Os quatro veículos fizeram uma viagem histórica, de Passo Fundo a Belém, saindo no dia 21 de outubro e chegando em 4 de novembro.
— Os resultados preliminares são muito animadores. O desempenho foi semelhante em consumo e potência, com a diferença de que as emissões do BeVant são infinitamente menores.
O caminhão é o único veículo exposto na Zona Verde da COP30, porque os organizadores entenderam que o BeVant é, de fato uma inovação na direção de um planeta mais sustentável. O que Erasmo espera é que os brasileiros mudem a cultura de jogar o óleo de cozinha na rede de esgoto e ampliem o fornecimento para a reindustrialização.
Nas mãos dos ricos
Em sua quarta COP, Erasmo Battistella é um otimista em relação aos resultados. Diz que todas as edições deixam seu legado e que é importante reunir todos os atores envolvidos com a sustentabilidade do planeta para mostrar o que foi feito e o que deve entrar na agenda dos próximos meses.
Erasmo sustenta que a solução para os problemas do aquecimento global está nas mãos dos países ricos:
— Se os países do G20 (as 20 maiores economias do planeta) fizerem a sua parte, 80% dos problemas estarão resolvidos. Se pegarmos as 30 maiores economias, resolveremos 90% dos problemas. Mas isso depende de disposição dos governos para trocar o discurso pela ação.






