
Foram os R$ 411 mil em espécie encontrados pela Polícia Federal em um cofre no escritório da família de Marcelo Caumo que precipitaram sua demissão da Secretaria de Desenvolvimento Urbano. A falta de uma explicação convincente para guardar dinheiro em espécie incomodou o governador Eduardo Leite, que pediu a Caumo que apresentasse o pedido de exoneração. Entregue a carta, Leite aceitou na hora, mas antes já tinha definido que o secretário-adjunto Fernando Classmann ficaria no cargo até a escolha do novo titular.
Na entrevista que deu ao Gaúcha Atualidade antes de falar com Leite, o ex-prefeito de Lajeado se declarou inocente e manifestou o desejo de continuar na secretaria, já que a investigação não tem relação com seu trabalho no governo estadual. Detalhou a necessidade de uma contratação emergencial, para atender as vítimas da enchente, e reconheceu que, antes de ser prefeito, advogou para uma das empresas investigadas pela Polícia Federal e pela Controladoria Geral da União.
Caumo disse que ao assumir a prefeitura de Lajeado, em 2021, suspendeu sua inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil. O escritório do qual fazia parte continuou ativo, sem a sua participação. Foi lá que a PF encontrou os tais R$ 411 mil, sobre os quais o ex-prefeito diz que só vai falar nos autos, mas que não têm vínculo com sua atividade política. Esse ponto incomodou outros integrantes do governo, já que ninguém consegue entender por que uma pessoa prefere guardar mais de R$ 400 mil em um cofre, podendo aplicar em um investimento que renderia algo como R$ 4 mil por mês.
O núcleo duro do governo concluiu que manter o secretário seria atrair para o Palácio Piratini um desgaste desnecessário, já que a investigação está restrita à prefeitura de Lajeado, que Caumo administrou por oito anos. Ele era tão popular que conseguiu eleger a sucessora.
O projeto original do ex-prefeito e agora ex-secretário era concorrer a deputado federal. Ele, que se elegeu pelo Progressistas (PP), avaliou que teria dificuldade de competir internamente com os atuais deputados do partido e resolveu migrar para o União Brasil. A troca se revelou um equívoco, já que logo depois os dois partidos formaram uma federação e, na eleição, os candidatos do PP e do União Brasil estarão em uma só nominata disputando as mesmas vagas.
Agora, antes de decidir o que fará no futuro, Caumo terá de dedicar sua energia a provar que todos os contratos firmados na prefeitura foram legais. Para convencer os eleitores de que é inocente, precisará explicar de forma transparente os motivos pelos quais havia dinheiro vivo no escritório de advocacia da qual foi sócio e que pertence à família. A imagem das notas de R$ 50, R$ 100 e R$ 200, divulgadas pela Polícia Federal, pesa mais do que as minúcias sobre contratos, para as quais ele tem explicação plausível para quem não domina os meandros da gestão pública.




