
Acabou a novela sobre a candidatura do PT ao Senado. Na antevéspera do encontro estadual marcado para este domingo (30), o senador Paulo Paim anunciou na reunião extraordinária da executiva estadual que não será candidato e que apoia o deputado federal Paulo Pimenta como seu sucessor. O senador explicou aos companheiros que precisa cuidar da saúde. Paim já havia mostrado aos dirigentes e membros da comissão eleitoral do PT uma série de exames que realizou nas últimas semanas e que, segundo ele, "não deram bons".
Mesmo com a necessidade de tratamento e de uma provável cirurgia de quadril, semelhante à que o presidente Lula foi submetido, o senador estava disposto a entrar na campanha, se isso significasse "uma solução para o PT". Apesar da pressão de sindicalistas e do Movimento Negro, o partido acabou optando pelo que vem sendo construído desde 2022, que é a candidatura de Pimenta, já que Paim tinha avisado o partido que encerraria a carreira em 2026.
Antes de entrar para a reunião, o senador disse à coluna que vinha recebendo apoio de diferentes setores e que até Pimenta prometeu apoiá-lo se fosse candidato.
— É verdade. Eu disse ao Paim que só precisava saber quais eram os planos dele, para poder tocar a minha vida. E que, se fosse candidato, podia contar com o meu apoio — confirmou Pimenta, que, nessa hipótese, concorreria novamente a deputado federal.
Ao final da reunião, Paim, Pimenta e Edegar Pretto posaram para fotos com o presidente estadual do PT, Valdeci Oliveira, fazendo o gesto de colocar uma mão sobre a outra, em sinal de unidade.
A outra vaga na chapa que terá Edegar Pretto como candidato a governador será reservada à ex-deputada Manuela D’Ávila, que nos próximos dias assinará ficha de filiação ao PSOL e que já está em pré-campanha. A vaga de vice será oferecida a outro partido aliado que queira participar da Frente Ampla que está em construção.
Em seu perfil no Instagram, Pretto postou a foto dos quatro e escreveu:
"São poucos os partidos que podem contar com quadros da estatura do senador Paulo Paim, que deixou seu nome marcado na história do Brasil como o construtor de grandes estatutos — como o Estatuto da Igualdade Racial e o Estatuto do Idoso — e como uma das vozes mais firmes na defesa dos direitos dos trabalhadores, dos aposentados e da valorização do salário mínimo.
Hoje, em diálogo com a direção do @ptdors, Paim tomou a decisão de encerrar o seu ciclo no Senado Federal e apoiar a pré-candidatura do companheiro Paulo Pimenta. Um gesto generoso e que será honrado por toda a militância do PT. Muito obrigado, senador Paim! Vamos em frente, amigo Pimenta!"
Na conversa que teve com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, em Brasília, Paim ouviu que a direção nacional iria se envolver na disputa do Rio Grande do Sul.
— A gauchada que se entenda — disse Edinho.
Na quarta-feira (26), no anúncio de investimentos em moradias e em obras de prevenção contra as cheias, o presidente Lula quebrou o protocolo e passou a palavra a Pimenta, que foi ministro da Reconstrução. Esse gesto foi interpretado como um sinal de apoio à candidatura do deputado.





