
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Ainda sem ter garantido o apoio do PT e da sonhada frente de esquerda, Juliana Brizola (PDT) lança neste sábado (15) sua pré-candidatura a governadora do Rio Grande do Sul. Ao lado dos presidentes nacional, Carlos Lupi, e estadual, Romildo Bolzan Jr., Juliana vai formalizar a intenção de seguir os passos do avô no Palácio Piratini, enquanto o partido tenta se equilibrar na gangorra entre o apoio petista e a base do governo Eduardo Leite.
Os pedetistas vão se reunir no Plenário Otávio Rocha, da Câmara de Porto Alegre, a partir das 9h, para a convenção municipal do PDT e eleição da presidência do diretório metropolitano — cargo ocupado atualmente pelo vereador Márcio Bins Ely, que deve permanecer no posto. A expectativa é de que cerca de 300 pessoas lotem o espaço.
Desde a metade do ano, Juliana percorreu o interior gaúcho em eventos organizados pelos diretórios municipais do PDT, divulgando suas ideias sob o slogan "a política no seu devido lugar" e reforçando a intenção de liderar o projeto do partido para retornar ao comando do Estado — posto que pertenceu aos pedetistas uma única vez, há mais de 30 anos, com Alceu Collares, eleito em 1990.
O indiciamento de Juliana pela Polícia Civil, por suposta apropriação de dinheiro da avó, não abalou o ânimo de Lupi e dos líderes do PDT que defendem a candidatura. Após o indiciamento, ela recebeu apoio dos companheiros de partido, do governador Eduardo Leite, que enviou mensagem de solidariedade, e de líderes da esquerda que a defenderam nas redes sociais e em mensagens particulares.
— Tudo bem encaminhado. Ela está bem nas pesquisas, tem boa receptividade e não tem rejeição. Se consolida como uma alternativa importante de opção pelo centro. Vamos com ela até o fim — resume Bins Ely, que aposta na candidatura com ou sem aliança partidária.
Unidos, mas separados
Na quarta-feira (12), Juliana participou de reunião-almoço convocada pelo diretório estadual do PT, que reuniu presidentes, líderes e dirigentes de sete partidos em busca de união do grupo em torno da candidatura à reeleição do presidente Lula. À tarde, teve encontro com Manuela d'Ávila, que deve ser candidata ao Senado pelo PSOL ou pelo PSB.
Juliana apareceu empolgada em vídeo gravado após o almoço, com gritos de "olê, olê, olá, Lu-lá, Lu-lá". Mais contidos, Romildo, Bins Ely e o deputado Pompeo de Mattos também compareceram.
Mesmo com as aproximações para a disputa nacional, a situação no Estado é mais complexa. Tanto PT quanto PDT resistem em abrir mão da cabeça de chapa para a disputa ao Piratini, e tendem a competir separados no primeiro turno da eleição. Petistas devem formalizar a pré-candidatura de Edegar Pretto durante encontro estadual marcado para 30 de novembro.
Um dia antes, durante congresso estadual, o MDB vai confirmar o nome do vice-governador Gabriel Souza para a disputa. O partido encerrou no início do mês sua série de encontros regionais pelo Interior, que durante seis meses mobilizaram cerca de 5 mil militantes. O MDB também mantém conversas com o PDT, com a intenção de manter unido para 2026 o grupo que integra a base do governo estadual — inclusive com intervenção direta de Eduardo Leite.



