
Promessa de campanha do presidente Lula em 2022, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil só será cumprida no último ano de seu mandato. Demorou mais do que esperavam os assalariados, mas é preciso reconhecer como avanço a redução da carga que pesa sobre os ombros de quem ganha menos, compensada pela taxação de uma parcela da população que recebe acima de R$ 50 mil por mês, em média, e não pagava Imposto de Renda.
Ainda não é a justiça tributária desejada, porque a classe média segue asfixiada pela soma dos anos em que a tabela não foi corrigida pela inflação.
Na prática, quem ganha acima de R$ 7,3 mil não terá qualquer vantagem com a mudança. O ideal seria isentar a parcela até R$ 5 mil, mas aí a conta não fecharia — a menos que se ampliasse significativamente a tributação do andar de cima.
Com a isenção até R$ 5 mil, a maioria dos brasileiros deixará de pagar Imposto de Renda. Isso inclui os professores que ganham o piso nacional do magistério ou pouco mais e o grosso dos trabalhadores do setor privado, além de expressiva fatia dos servidores públicos.
As mudanças valem a partir de 2026, mas a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda foi sancionada nesta quarta-feira (26) com pompa e circunstância, numa festa sem a presença dos presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, que estão em conflito com o governo e ameaçam com retaliações na forma de pautas-bombas que terão impacto nas contas públicas da União, dos Estados e dos municípios.
Já em clima de campanha para a próxima eleição, Lula defendeu a redução da jornada de trabalho. O fim da escala 6x1 deve ser uma das bandeiras do candidato à reeleição.



