
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Contrariando o anúncio feito pela Fundação Theatro São Pedro na semana passada, o governo do Estado garantiu que a programação do Multipalco Eva Sopher em 2026 está mantida. À coluna, os secretários da Cultura, Eduardo Loureiro, e da Casa Civil, Artur Lemos, confirmaram as atividades no espaço recém-concluído.
Tanto Loureiro quanto Artur foram surpreendidos pela decisão do presidente da fundação, Antônio Hohlfeldt, alegando que o quadro atual de pessoal não dá conta da estrutura cultural. Por isso, exigindo um projeto de lei com reestruturação dos cargos da entidade, Hohlfeldt anunciou a suspensão das atividades.
Na mesa da secretária de Planejamento, Danielle Calazans, já há propostas para valorização dos funcionários, tanto da Fundação Theatro São Pedro quanto da Fundação Orquestra Sinfônica de Porto Alegre. A falta de pessoal, entretanto, é considerada por Artur Lemos como uma situação diferente, que deveria ser resolvida internamente.
— Deve haver alternativas e não haverá paralisação das atividades. Caminho que não deve existir é transferir para a sociedade algo que não deve ser da sociedade. Foi simplificado o tema, trazendo desconforto para a comunidade cultural, o que não precisava — avalia o chefe da Casa Civil.
Artur rechaçou as críticas de que o governo gaúcho não investe na cultura, lembrando que a atual gestão concluiu as obras do Multipalco, após 20 anos desde a idealização do espaço, e deu início às obras de revitalização do Theatro São Pedro. Foram mais de R$ 50 milhões aportados nos espaços.
Em uma reunião nesta terça-feira (18), Artur Lemos e Eduardo Loureiro vão discutir alternativas para garantir a manutenção das atividades do Multipalco. O secretário da Cultura reforçou que, mesmo que uma reestruturação das carreiras fosse aprovada hoje, novas contratações não estariam garantidas para janeiro, já que é preciso fazer edital, concurso e seleção até a efetivação de novos servidores.
— Não vamos escapar de, nesse momento, trabalhar com outras alternativas. Reestruturação vai ter que acontecer, já está sendo encaminhada no governo, mas para manter o funcionamento em janeiro não depende disso. Estamos fazendo todo o esforço, e não vai acontecer a suspensão das atividades. Possibilidade que se tem é fazer contratação emergencial ou até terceirização, que é o que hoje a fundação já promove — projeta Loureiro.
Após o encontro entre os secretários, Artur deve marcar um encontro com Antônio Hohlfeldt para alinhar o que for decidido. O presidente da fundação disse à coluna que não teve nenhum encontro nem foi procurado por representantes do governo após anunciar a suspensão da programação.
Hohlfeldt balança
No cargo desde março de 2018, a permanência do professor e ex-vice-governador Antônio Hohlfeldt na presidência da Fundação Theatro São Pedro não está garantida. Indiretamente, Artur fez críticas a Hohlfeldt, enfatizando que o anúncio, da forma como foi feito, não é o que o governo espera dos seus gestores.
— Quem está preocupado com cultura não pode fazer isso. Estamos avaliando todos os cenários possíveis, mas o que não foi trazido para a Secretaria de Planejamento é a eventual inviabilidade do calendário. O que a gente demanda dos nossos gestores é que os problemas sejam resolvidos e sejam buscadas soluções, ainda que uma delas apresente um problema. O governo do Estado assegura que vai buscar os caminhos para confirmar o calendário, e espero que o gestor compreenda — disse Artur.
Questionado sobre a permanência de Hohlfeldt no cargo, Loureiro despistou. Segundo o secretário da Cultura, o assunto pode surgir na reunião que terá com Artur nesta terça, mas o foco é construir uma saída para garantir as atividades no Multipalco.
— É uma avaliação que o governo vai fazer, mas nesse momento não saberia dizer até que ponto (o anúncio da paralisação) afeta ou não a manutenção de Hohlfeldt no cargo. Sem dúvida, vamos garantir que não haja descontinuidade, tenho segurança que temos ferramentas para isso.






