
Ao chantagear o Supremo Tribunal Federal, na tentativa de evitar a condenação do pai, Jair Bolsonaro, o ainda deputado federal Eduardo Bolsonaro cavou o buraco que o impedirá de ser candidato na eleição de 2026. Os ministros da 1ª Turma aceitaram a denúncia da Procuradoria-Geral da República e transformaram Eduardo em réu pelo crime de coação no curso do processo da trama golpista.
O filho número 3 de Bolsonaro fugiu do país para poder operar dos Estados Unidos e só pediu licença à Câmara quando já estava instalado em território norte-americano. Vencido o prazo da licença, decidiu não voltar, temendo ser preso, e continuou fazendo a ponte aérea entre o Texas, onde mora com a família, e Washington, a capital.
Pelas relações com próceres do Partido Republicano, Eduardo Bolsonaro conseguiu acesso à Casa Branca e por lá espalhou sua visão distorcida em relação ao Brasil e ao processo contra a tentativa de golpe. Nas redes sociais e nas entrevistas, gabou-se de ter sido o responsável pelas sanções impostas às exportações brasileiras, com o tarifaço de 50%, e pelas punições aos ministros do Supremo Tribunal Federal, com a cassação e vistos a sete deles e a aplicação da Lei Magnitsky a Alexandre de Moraes.
A movimentação dele e do blogueiro Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente João Figueiredo, não conseguiu evitar a condenação de Jair Bolsonaro, que deve começar a cumprir pena a qualquer momento. Nos próximos dias, Figueiredo também se tornará réu pelo mesmo crime. Mesmo que sejam condenados, nenhum dos dois corre o risco de ser preso enquanto continuarem nos Estados Unidos, sob a proteção de Trump. A coisa muda de figura se tentarem retornar ao Brasil, o que não está nos planos de Figueiredo, mas é imperativo para Eduardo se quiser ser candidato a presidente, como anuncia que será.
O filho de Bolsonaro ignorou a denúncia da PGR, não constituiu advogado e garganteou que está imune porque vive fora da jurisdição do STF. Por isso, está sendo representado por um defensor público da União.
Eduardo ainda segue recebendo o subsídio de deputado federal, mas deve perder o mandato por excesso de faltas, já que sua licença venceu em junho e ele não retornou ao trabalho. Tentou uma manobra de exercer o mandato em modo remoto, mas a Mesa da Câmara não aceitou. Cogitou-se de transformá-lo em secretário do governo de Santa Catarina, com gabinete nos Estados Unidos, graças às boas relações com o governador Jorginho Melo, mas a proposta também não prosperou.
Aliás
Aliados de Eduardo Bolsonaro sustentam que ele poderia ser candidato mesmo morando nos Estados Unidos, porque o conceito de domicílio eleitoral é elástico, mas dificilmente o TSE daria o registro a alguém que esteja vivendo em outro país. E, caso seja condenado até a eleição, ele se tornará inelegível.


