
Com a rejeição unânime dos embargos apresentados pela defesa de Jair Bolsonaro e de outros seis réus da trama golpista, o próximo passo será o cumprimento da sentença. No momento, Bolsonaro está a dois passos da Papuda, a prisão para onde deve ser levado no primeiro momento, depois de ter sido condenado a 27 anos e três meses de prisão. O presídio já foi vistoriado para analisar se há condições de uma pessoa com os problemas de saúde de Bolsonaro cumprir pena na Papuda, já que depende de medicação e tem crises frequentes de soluço.
A defesa tentará convencer o ministro Alexandre de Moraes a autorizar o cumprimento da pena em prisão domiciliar, onde ele já está desde antes do julgamento. Se isso não for possível, o plano B para evitar a Papuda é o cumprimento de pena em um quartel, por se tratar de um ex-presidente da República que é também capitão reformado do Exército.
Na Papuda estão outros condenados pelos atos violentos de 8 de Janeiro, que tinham na origem o mesmo motivo que levou à condenação de Bolsonaro: a tentativa de impedir o vencedor da eleição de exercer o mandato. O ex-presidente não chegou a consumar o golpe porque faltou respaldo das Forças Armadas, mais especificamente dos comandantes do Exército e da Aeronáutica. O ex-comandante da Marinha Almir Garnier é um dos condenados e também está a um passo da cadeia, onde cumprirá pelo menos uma parte da pena a que foi condenado.
Os outros são os generais Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Nogueira Batista, o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência Alexandre Ramagem.
O recado do Supremo Tribunal Federal aos golpistas do futuro é que pensem duas vezes antes de tramar uma virada de mesa. Se Bolsonaro tivesse reconhecido o resultado da eleição, transmitido o cargo e isso cuidar da vida, hoje seria candidato favorito na eleição de 2026. Mas não. Ele preferiu o caminho tortuoso da desqualificação do processo eleitoral e ainda contou com civis e militares alcoviteiros, que estimularam a permanência, em frente aos quartéis, de eleitores inconformados com o resultado das urnas.



