
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Aposta para transformar o abastecimento de gás em uma fonte renovável de energia, o biometano — produzido a partir de resíduos sólidos e lixo orgânico — poderá ser misturado à rede que atualmente já distribui gás natural. A conclusão consta de estudo realizado pelo Instituto do Petróleo e dos Recursos Naturais (IPR) da PUCRS, em parceria com a Sulgás.
Engenheiros que participaram dos experimentos comprovaram que a mistura do biogás com o gás encanado, que atualmente é distribuído às residências, é homogênea, com variações mínimas nos parâmetros de qualidade. O trabalho foi realizado por cerca de um mês no Polo Petroquímico de Triunfo — onde, ao lado, está a usina de biometano da Bioo, inaugurada em 2023 com a previsão de produzir 30 mil metros cúbicos de biometano diariamente.
— A emissão de laudos laboratoriais para verificar a conformidade do biometano e da mistura com gás natural é uma condição essencial para assegurar rastreabilidade, confiabilidade e segurança energética do uso do gás renovável para toda a cadeia interessada na descarbonização das suas atividades — diz Naira Poerner Rodrigues, responsável técnica pelo IPR da PUC.
Ao contrário do gás natural ou do GLP (gás liquefeito de petróleo, o popular gás de cozinha), o biometano é uma fonte renovável de energia, cuja matéria-prima são resíduos sólidos, provenientes de lixo orgânico. O produto tem sido adotado por países europeus, como Reino Unido, Alemanha e França, para atingir as metas de energia limpa e reduzir a dependência de combustíveis fósseis, como o gás russo.
A Sulgás, que desde a metade do ano trabalha para implantar o novo gasoduto para injetar o biometano na rede de gás natural, reforça que trabalha na diversificação da matriz energética do Estado, e projeta anunciar novidades em breve sobre a renovação do abastecimento.
Na terça-feira (11), durante a COP30, o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, confirmou adesão ao Pacto de Biometano, proposto pelo Ministério do Meio Ambiente. O objetivo é fortalecer a cooperação entre os setores público e privado para transformar resíduos sólidos urbanos em gás renovável.
Porto Alegre já integra um projeto que prevê a produção de biometano em Minas do Leão — onde em setembro foi inaugurada a primeira planta de produção de biometano em um aterro sanitário no Estado — e São Leopoldo, com capacidade total estimada em 100 mil metros cúbicos normais por dia.






