
Foi impossível não lembrar de Olavo Bilac ao desembarcar no Parque da Cidade, em Belém, neste momento transformado na sede da COP30.
Principal nome do parnasianismo, Bilac escreveu poemas que flutuam entre a ingenuidade e o ufanismo, mas não há como discordar de seus versos de exaltação ao Brasil quando o mundo se reúne no coração da Amazônia para tratar de clima.
Os pavilhões da COP, que ocupam uma área equivalente a 70 campos de futebol, onde antes era o aeroporto da capital paraense, são decorados com painéis que mostram a riqueza dos nossos seis biomas: a Amazônia, o Cerrado, a Mata Atlântica, a Caatinga, o Pantanal e o Pampa.
Bilac tinha razão: "Criança! Não verás nenhum país como este. Olha que céu! Que mar! Que rios! Que floresta! A natureza, aqui, perpetuamente em festa, é um seio de mãe a transbordar carinhos. Vê que há vida nos ninhos, que se balançam no ar, entre ramos inquietos! Vê que luz, que calor, que multidão de insetos! Vê que grande extensão de matas, onde impera, fecunda e luminosa, a eterna primavera”.
A floresta mesmo a gente vê quando o avião, vindo de São Paulo, está a meia hora de Belém. A exuberância dos rios e das matas se revela na aproximação do pouso, e você se pergunta como nasceu uma metrópole nesta geografia peculiar.

A Belém que recebeu chefes de Estado e de governo na semana passada será, a partir de segunda-feira (10), dos cientistas, dos professores, dos estudantes, das ONGs, dos movimentos sociais, dos governos locais, dos empresários, dos jornalistas do mundo inteiro, interessados em acompanhar os debates sobre o futuro do planeta — e o que ainda pode ser feito para salvá-lo.
Neste sábado, fizemos apenas um reconhecimento de terreno. Não há debates no fim de semana, os estandes dos países ainda estão sendo montados, mas já se tem a sensação de estar numa babel tropical, tantos são os idiomas e sotaques dentro e fora do território da ONU.
A COP não vai resolver os problemas do Brasil, nem é este o seu propósito. Como nas edições anteriores, o que se faz é debater a crise climática e o que é preciso fazer para evitar que a vida se torne insustentável.
O que o Rio Grande do Sul sofreu em 2024 é um sinal de alerta para o mundo e será citado em diferentes mesas de debates. Porque o mundo consciente já sabe que é preciso reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, ampliar a produção de energia limpa e produzir alimentos sem destruir o meio ambiente.




