
São incompreensíveis para os leigos os tempos da investigação da fraude bilionária do INSS. Por que só agora foi preso o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto? Passaram-se mais de seis meses desde o seu afastamento, mas só nesta quinta (13) a Polícia Federal e a Corregedoria-Geral da União entenderam que há motivos para prender o sujeito que ocupou os mais altos cargos na hierarquia do INSS no tempo em que floresceu a fraude contra aposentados e pensionistas.
O ministro da Previdência, Wolney Queiroz, costuma repetir uma metáfora que faz todo sentido no caso do escândalo do INSS:
— O ladrão entrou na casa entre 2019 e 2022. E continuou em 2023 e 2024 porque os alarmes foram desligados propositalmente.
Quem são todos os ladrões que entraram na casa entre 2019 e 2022? desligou os alarmes? Quem permitiu que os alarmes fossem desligados em 2023 e 2024?
Os presidentes do INSS e os ministros da Previdência à época das fraudes têm todos que ser investigados. Porque, mesmo Stefanutto sendo um funcionário de carreira indicado para cargos de direção, sua autonomia não era absoluta. E o resto da diretoria? E os funcionários que puderam a mão na massa e permitiram que a fraude se consumasse?
A investigação ainda não está concluída. Cada peça que cai pode ajudar a montar o quebra-cabeça de uma fraude continuada em um órgão público com histórico de corrupção e de ineficiência. O que deveria ser meritório — a indicação de um funcionário de carreira para a gestão — revelou-se um desastre, com a mistura de interesses públicos e privados.
Menos mal que o Congresso, que no passado autorizou os descontos em folha de contribuições para entidades que se diziam defensora dos aposentados, agora fechou a porteira. O INSS não tem de cobrar mensalidade de associações. Seu papel é cuidar para que aposentadorias e pensões sejam pagas a quem tem direito, no tempo certo e no valor correto.



