
Em franca disputa com o PSB pelo passe da ex-deputada Manuela D’Ávila, o PSOL requentou nesta segunda-feira (13) um encontro do dia 1º de outubro para passar a ideia de que a filiação já está acertada. "Manuela no PSOL", diz a chamada do e-mail encaminhado à imprensa com uma nota sobre o convite feito à ex-deputada para concorrer ao Senado em 2026.
O material é ilustrado com uma foto de Manuela com a presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, e a deputada Talíria Petrone, líder do partido da Câmara. Ao pé do texto, a assessoria esclarece que a foto é de 1º de outubro.
O PSOL é, de fato, o destino mais provável de Manuela, que deseja ser candidata ao Senado, mas só pretende escolher seu partido lá por dezembro, depois que o PT resolver seus problemas internos de definição de candidaturas. Depois de uma pausa nas disputas eleitorais, Manuela trabalha para ser candidata ao Senado e aproveita as viagens ao Interior, onde faz palestras e eventos de lançamento do seu último livro, para conversas políticas.
O convite do PSB foi feito pelo presidente nacional do partido, o prefeito de Recife, João Campos, mas esbarra nas indefinições do partido no Estado, com a possível saída de deputados que não têm boa relação com Beto Albuquerque, líder de um movimento pela intervenção da direção nacional no Estado.
No PSOL, Manuela é unanimidade e recebe apoio dos dirigentes estaduais, da direção nacional e dos parlamentares. Ela, que já foi do PCdoB e está sem partido, aparece com boa colocação nas pesquisas encomendadas por partidos adversários, mas para ter uma candidatura viável depende de aliança com o PT. Tudo se encaminhava para que o candidato do partido ao Senado fosse o deputado Paulo Pimenta, até o senador Paulo Paim, que anunciara a aposentadoria no ano passado, se recolocar no cenário a pedido de líderes sindicais.
Ao formalizar o convite para Manuela concorrer ao Senado, o PSOL marca posição e dá um recado ao PT, de que tem uma nome para a chapa majoritária — e as outras peças que se encaixem. As outras peças são, além de Pimenta e Paim, Edegar Pretto, pré-candidato a governador, e Juliana Brizola (PDT) — que poderia ser a candidata da coligação ao Piratini, com Edegar de vice, mas seu partido está no governo de Eduardo Leite e também conversa com o MDB.
Embora estejam juntos no governo Lula, PT e MDB no Rio Grande do Sul são como água e azeite: não se misturam.


